Estudante diz que perdeu bolsa do Prouni por envolvimento da mãe com bets

Universidade considerou movimentações financeiras ligadas a apostas on-line como renda familiar; estudante afirma que recorrerá à Justiça para tentar reverter a decisão

, em Uberlândia

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A história de um estudante de Campinas (SP) que afirma ter perdido uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni) por causa de movimentações financeiras ligadas ao “tigrinho” e a outras plataformas de apostas na conta da mãe viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os impactos das bets na vida das famílias brasileiras.

Eduardo Luvizetto dos Santos, conhecido nas redes sociais pelo perfil @veganoperiferico, foi pré-selecionado para cursar Psicologia com bolsa integral na Universidade Paulista (Unip). No entanto, durante a etapa de comprovação das informações socioeconômicas, o benefício foi negado.

Segundo o estudante, a análise das movimentações bancárias da mãe, considerada pelo Prouni, motivou a decisão.

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jovem perde bolsa devido a movimentações na conta da mãe
Jovem diz que benefício foi negado depois que a universidade considerou como renda movimentações bancárias ligadas a plataformas de apostas – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Movimentações com apostas entraram na análise

De acordo com Eduardo, a mãe recebe um salário mínimo de aposentadoria, mas enfrenta dependência de jogos de apostas on-line e já iniciou tratamento.

Nas redes sociais, ele afirma que os extratos bancários registram um grande volume de entradas e saídas de dinheiro relacionadas às plataformas de apostas, sem que isso represente aumento de renda. “O cassino on-line não é renda, pelo contrário. Os valores que passaram pela conta se transformaram em enormes prejuízos”, escreveu.

Segundo o estudante, os responsáveis pela análise informaram que a documentação estava regular e que o indeferimento ocorreu em razão das movimentações financeiras da mãe.

Estudante critica impacto das bets

A publicação ultrapassou 500 mil visualizações e recebeu milhares de comentários.

Após a repercussão, Eduardo publicou uma atualização alegando que a mãe enfrenta um vício em jogos. “Aposta não é renda, não é investimento. Aposta é vício”, escreveu.

Ele também afirmou que o caso não deve ser interpretado como um problema individual, mas como reflexo da expansão das plataformas de apostas. “Milhões de pessoas têm cassinos funcionando 24 horas por dia na palma da mão. Estamos vivendo uma situação sem precedentes”, declarou.

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Universidade considerou movimentações na renda, diz estudante

Segundo Eduardo, a universidade considerou que as entradas registradas na conta da mãe elevariam a renda familiar acima do limite exigido pelo Prouni, de 1,5 salário mínimo por pessoa.

O estudante, porém, sustenta que esses valores correspondem apenas ao fluxo financeiro gerado pelas apostas e não representam renda efetiva, lucro ou melhora da condição econômica da família.

Ele afirma ainda que os extratos demonstram um cenário de endividamento provocado pelo vício em jogos, e não de enriquecimento.

Recurso foi negado

Eduardo informou que apresentou recurso administrativo, mas recebeu a resposta de que o processo seletivo já havia sido encerrado e que não seria mais possível avaliar novamente a documentação. Segundo o estudante, a próxima medida será recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão e garantir a matrícula no curso de Psicologia.

O Paranaíba Mais entrou em contato com a Universidade Paulista (Unip) para solicitar um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno. O texto será atualizado caso a instituição se manifeste.