Domingo de Ramos marca início da Semana Santa; veja o significado

Celebração que marca o início da Semana Santa relembra a entrada de Jesus em Jerusalém e propõe reflexão sobre fé, sacrifício e coerência

, em Uberlândia

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O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e conduz os fiéis a um dos momentos mais profundos do calendário cristão. A data recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido com ramos e aclamações, ao mesmo tempo em que antecede aos acontecimentos que culminam na sua crucificação.

Como se chama domingo de Ramos ou domingo da Paixão? O primeiro nome vem do fato de se comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando a multidão o recebeu com ramos de palmas. Está lá em João 12, 13.
O nome vem do fato de se comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando a multidão o recebeu com ramos de palmas – Crédito: Freepick

Segundo o padre Hernanni Pereira, o Domingo de Ramos tem um papel central na vivência religiosa. “O Domingo de Ramos representa o grande portal pelo qual entramos na Semana Santa, tempo em que contemplamos os últimos momentos da vida de Jesus”, afirma. Ele explica que a celebração não se limita a um único sentido, mas reúne elementos de alegria, reconhecimento e reflexão.

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Desde os primeiros séculos do cristianismo, a data já era celebrada. Há registros de procissões em Jerusalém por volta do ano 400, o que demonstra a tradição antiga e contínua dessa prática. Hoje, o rito permanece como uma das expressões mais simbólicas da fé cristã.

Os dois sentidos da celebração

O Domingo de Ramos também é chamado de Domingo da Paixão, e essa dupla denominação revela o significado profundo da data. De um lado, a celebração relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando foi recebido com ramos e gritos de alegria. De outro, já introduz o relato da sua paixão, que será central nos dias seguintes.

“O domingo une num todo o triunfo real de Cristo e o anúncio da paixão”, explica o padre Hernanni. Segundo ele, esse equilíbrio é essencial para compreender o sentido da Semana Santa. “Não se trata apenas de celebrar, mas de reconhecer o caminho que leva ao sacrifício.”

A liturgia reforça essa dualidade. A celebração começa de forma festiva, com a procissão e os cânticos, mas ganha um tom mais sóbrio ao longo da missa, quando são proclamados os textos que narram o sofrimento e a morte de Jesus.

Domingo de Ramos e a procissão nas igrejas

Um dos momentos mais marcantes do Domingo de Ramos é a procissão, que geralmente acontece antes da missa. Os fiéis se reúnem fora das igrejas, recebem os ramos abençoados e seguem em caminhada, recordando a chegada de Jesus a Jerusalém.

Durante esse percurso, são entoados cânticos e expressões de louvor, como o “Hosana”, palavra que, segundo o padre Hernanni, carrega um significado especial. Ele explica que o termo representa ao mesmo tempo um grito de alegria e uma súplica, traduzido como um pedido de salvação.

Os ramos utilizados podem variar. Embora a tradição mencione palmas, também é comum o uso de outras plantas, de acordo com a realidade local. “Podem ser utilizados ramos de diferentes árvores. O importante é o sentido da celebração”, destaca o sacerdote.

Após a missa, muitos fiéis levam esses ramos para casa, como forma de recordar o momento vivido. No entanto, o padre faz um alerta. “Eles não devem ser conservados como amuletos ou usados com sentido mágico. O valor está na fé e na participação na celebração”, afirma.

A profundidade das leituras bíblicas

A missa do Domingo de Ramos é marcada por leituras extensas e carregadas de significado. Os textos percorrem episódios importantes, desde a oração de Jesus até sua crucificação, revelando detalhes do sofrimento vivido.

Em uma das passagens lembradas pelo padre Hernanni, Jesus expressa sua angústia diante do que está por vir, mas reafirma sua obediência: “Meu pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”.

Outro momento destacado é o perdão concedido mesmo diante da dor. “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão a fazer”, diz Jesus na cruz, em um gesto que, segundo o sacerdote, demonstra a essência da mensagem cristã.

Essas leituras não são apresentadas de forma comum. Em muitas comunidades, a narração é feita de maneira dialogada, envolvendo diferentes vozes para representar os personagens, o que torna o momento ainda mais impactante.

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A mensagem para a vida cotidiana

Além do aspecto litúrgico, o Domingo de Ramos também propõe uma reflexão pessoal. Para o padre Hernanni Pereira, a data convida os fiéis a pensarem sobre o sentido do sofrimento, das escolhas e da própria vida.

“Diante de todos os nossos questionamentos, Jesus não deu respostas vagas, mas com a sua vida mostrou que está ao nosso lado até o fim”, afirma. Ele ressalta que a celebração não deve ser compreendida apenas com palavras, mas também com silêncio e interiorização.

O sacerdote também chama atenção para a coerência entre fé e prática. Segundo ele, há um contraste simbólico na própria celebração, já que a mesma figura que é aclamada com entusiasmo será, mais adiante, rejeitada.

“Podemos fazer o mesmo em nossa vida, quando reconhecemos Jesus, mas nossas atitudes não refletem isso”, observa. A reflexão, portanto, ultrapassa o âmbito religioso e se conecta com a vivência cotidiana.

Domingo de Ramos abre caminho para a Semana Santa

O Domingo de Ramos sintetiza o que será vivido ao longo da Semana Santa. A celebração reúne a alegria da acolhida e a seriedade da paixão, preparando os fiéis para os dias seguintes. A liturgia também expressa esse equilíbrio. Embora a procissão seja marcada por cânticos festivos, a missa assume um tom mais contido. Não há o canto do glória, e a celebração segue um ritmo mais sóbrio, próprio desse período. Outro elemento simbólico é o uso da cor vermelha nas celebrações, que remete tanto à realeza de Cristo quanto ao seu sacrifício. Esse detalhe reforça a união entre os dois aspectos centrais da data.

Ao final, o convite é claro: mais do que participar de um rito, o Domingo de Ramos propõe uma vivência. “Os ramos servem para nos recordar a realeza de Cristo, mas uma realeza que se manifesta na cruz”, conclui o padre Hernanni Pereira.