Privado: Rogério Silva

Temas essenciais do mundo atual intercalados com posições humanistas a respeito de comunicação, economia, vida, política e sociedade

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Horário eleitoral gratuito e as curiosas aproximações entre partidos

<p><span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: DengXian; mso-fareast-theme-font: minor-fareast; mso-hansi-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: ZH-CN; mso-bidi-language: AR-SA;">Tempo de propaganda na tv e no rádio é chamariz para alianças partidárias, ainda que improváveis</span></p>

, em Uberlândia

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Há um engano intencional no uso da palavra GRATUITO relacionado à propaganda política nos meios eletrônicos. De graça, nem relógio, como diria minha vó. O custo é altíssimo e no Brasil o financiamento é público. Ou seja, quem paga a conta somos nós. Herança dos petrolões da vida, que revelaram interesses duvidosos de empresas privadas que bancavam com doses fartas de generosidade doações financeiras.

A produção é cara, exige contratação de marqueteiros, construção de cenários, atores, roteiristas, técnicos, equipamentos e o escambau de Madureira. Sai cada ideia de péssimo gosto, mas que chama atenção de quem assiste – aliás, o intuito é esse mesmo.

O fundo eleitoral para 2024, a grana que vem dos cofres da União para os cofres dos partidos, soma 4,9 bilhões de reais. A distribuição obedece ao tamanho que cada sigla tem no Congresso. Quanto mais deputados e senadores, mais dinheiro do Fundão chega.

Isso vale também para o tempo de tv e rádio. Tudo é calculado minuciosamente para definir a exposição dos candidatos nos blocos de programas que vão ao ar de segunda a sábado e nas inserções em breaks. Candidato é oferecido no intervalo comercial tal qual caixas de sabão em pó. A unidade é o segundo.

QUANTO MAIS PARTIDOS, MAIS TEMPO DE TV E RÁDIO.

Um partido tem direito a 5 segundos, vem pra coligação e se junta ao principal que tem 55 segundos. Vem um outro mais parrudo que tem 2 minutos. Essa é a moeda. E note a preocupação em agregar mais e mais partidos. E é aí que nascem coisas estranhas. Partido A que é adversário de partido B na cena nacional pode não ser inimigo na eleição da sua cidade. Improvável? Não, não. É bem possível. Mesmo que depois das eleições eles rompam relações.

Direita e esquerda não fazem muito sentido nessa equação, até porque existe uma entidade no Brasil chamada Centrão, o fiel da balança que pende ao sabor do momento.

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TV E RÁDIO AINDA SÃO IMPORTANTES?

Se não fossem, porque diabos as coligações estariam tão interessadas nessas composições? Os meios tradicionais fazem a diferença num país que – Atenção, habitantes das bolhas!!!! – tem milhões de eleitores não conectados à internet. Difícil acreditar nisso para quem tem mais celulares e computadores em casa do que gente. Não é a realidade de todos.

Televisão e rádios são meios gratuitos, democráticos, acessíveis e vitrines nas eleições brasileiras. Arrisco até dizer que com maior potencial em eleições municipais, quando há interesse peculiar do eleitorado por assuntos e personalidades afins ao seu dia a dia.

A temporada é de convenções partidárias. Não se assuste, prezado eleitor. Tem receita de feijão com leite condensado, batata frita com sorvete. Se for aparentemente indigesto, certeza, tem alguém se deliciando com essas misturebas.