Campanha Junho Vermelho também abrange os animais
Humanos e não humanos necessitam de sangue

A campanha Junho Vermelho nasceu no Brasil em 2015, pelo Movimento Eu Dou Sangue em 2011, idealizada pelas irmãs Debi Aronis e Diana Berezin, em São Paulo. O mês de junho foi escolhido em decorrência de coincidir com o dia 14 de junho, data instituída pela Organização Mundial da Saúde para celebrar o Dia Mundial do Doador de Sangue.
O Brasil escolheu o mês de junho, extensivo até agosto, em decorrência das baixas temperaturas, em virtude do aumento de doenças respiratórias e o período de férias escolares que registra um aumento relevante de viagens garantindo que os estoques de sangue estejam seguros, haja vista a queda significativa nesse período em todo o país e a cor vermelha do sangue.
A campanha é primordial para a saúde pública do país, pois incentiva que as pessoas doem, mantendo os estoques em níveis desejáveis, fundamentais em atendimentos médicos emergenciais, permitindo que milhares de vidas sejam salvas.
O sangue doado é utilizado em procedimentos cirúrgicos, no atendimento emergencial a pessoas que sofreram acidentes e perderam quantidade significativa de sangue, e também em inúmeras situações: cirurgias; doenças, entre outras.
A campanha reforça a necessidade de ser solidário e atua para informar a população onde doar, quem pode e quem não pode doar, além de combater desinformações e receios.
Nem todas as pessoas podem doar sangue, existem alguns critérios que são estabelecidos pelo Ministério da Saúde: pessoas entre 16 e 69 anos de idade (menores de 18 anos com autorização dos responsáveis); pesar no mínimo 50 kg; ter dormido, no mínimo, seis horas nas últimas 24 horas; estar bem alimentado (jejum de alimentos gordurosos nas últimas três horas e doar sangue somente duas horas depois do almoço); estar com documento de identificação com foto; idosos entre 60 e 69 anos só podem doar sangue se já tiverem feito isso antes dos 60.
Quando se fala sobre a doação de sangue, o foco quase sempre está nos seres humanos. Assim como estes, os animais não humanos necessitam de doação e podem ser doadores. Nesse sentido a campanha também atinge os animais.
Na Medicina Veterinária o objetivo é salvar vida de animais de qualquer espécie. Assim como os humanos, inúmeros animais, sobretudo cães e gatos, os que mais compartilham a companhia humana, não é diferente. A campanha também os abrange, mas é mais escassa do que a dos humanos e a menos comentada e divulgada.
Os animais assim como os humanos, possuem vários tipos sanguíneos diferentes e critérios para a doação ser segura e saudável para quem doa e para quem recebe. Por isso, todo o pet que doa recebe um check up completo que funciona como um exame de triagem para verificar a saúde e se o animal está apto para doação.
A terapia transfusional para animais é decisiva em diversos quadros clínicos: anemias severas; cirurgias complexas; hemorragias e traumas; intoxicações e acidentes com animais peçonhentos; distúrbios de coagulação; doenças que provocam baixa de proteínas no sangue, entre outras.
A compatibilidade sanguínea é vital assim como nos seres humanos, para garantir transfusões seguras, como a tipagem. Cães possuem diferentes tipos de sangue, o DEA 4 é considerado o doador universal entre os caninos. Gatos, não têm um tipo universal o que torna a testagem prévia indispensável para evitar reações adversas.
Para doar, os cães devem ter entre 1 e 7 anos; pesar mais de 25 kg; estar vacinados e vermifugados; ser dóceis e saudáveis. Já os gatos precisam ter entre 1 e 7 anos; acima de 4 kg; estar vacinados, vermifugados e viver exclusivamente dentro de casa.
Antes da doação, os animais passam por exames físicos e hematológicos. A coleta é rápida e segura: em cães, são retirados cerca de 16 a 18 ml/kg de sangue; em gatos, até 12 ml/kg. O intervalo entre as doações varia entre três e quatro meses, e todo o processo é feito com cuidado para reduzir qualquer desconforto ou estresse no animal.
Doar sangue e recebê-lo nos casos mencionados salva vidas, tanto de humanos como de não humanos. A doação e a transfusão de sangue humana são gratuitas por lei e custeadas pelo sistema público. Já o sangue veterinário possui alto custo pois não há um sistema público de saúde animal. Portanto, clínicas e bancos de veterinária precisam cobrir as despesas operacionais, logísticas e de testagem para garantir a segurança.
Os valores de uma bolsa de sangue ou plasma para pets variam bastante, entre R$ 300 e R$ 950, dependendo do componente necessário (sangue total ou plasma) e da região. Hospitais veterinários universitários, quando disponíveis, costumam ter custos mais acessíveis.
O Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia possui um Banco de Sangue, entretanto o estoque opera frequentemente no limite. O serviço depende da conscientização de tutores dispostos a levar seus pets para doar sangue.
A relação humano-animal é de priscas eras. Muitas vezes essa convivência é marcada por responsabilidade e afeto, outras redundam em maus-tratos, violência e abandono, sobretudo quando os pets envelhecem ou quando dão crias.
Assim como os humanos os animais são afetados por inúmeras doenças e, algumas delas zoonóticas, portanto, transmissíveis. Há de pensar na SAÚDE ÚNICA que englobe animais humanos e não humanos em toda a sua extensão. É uma questão ética e moral.
Por Profa. Dra. Jane de Fátima S. Rodrigues e Profa. Dra. Simone S. Prudêncio
Integrantes do NEA (Núcleo de Estudos Animalistas/Faculdade de Direito/UFU) e do CDDAU (Comitê de Defesa dos Direitos dos Animais de Uberlândia)
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