Bolinho de chuva
Essa iguaria que pode ganhar versões mais sofisticadas foi a salvação de muita gente nos meus tempos de criança
BOLINHOS DE CHUVA
Sem mentir e sem meias verdades: Você sabe fazer “Bolinho de Chuva”? Sabe ou não? Fazer Bolinho de Chuva deveria ser uma espécie de “Serviço Culinário Obrigatório” ou seja, não se vence a infância e não se alcança a maturidade se não souber se virar com alguns ovos, açúcar, uma colher de fermento químico e a farinha de trigo bem dosada.

Claro que tudo isso frito no óleo com o fogo no mínimo para não queimar por fora e ficar cru por dentro.
Essa iguaria que pode ganhar versões mais sofisticadas foi a salvação de muita gente nos meus tempos de criança, quando um bando de meninos aparecia para as pesquisas escolares na casa de alguém e a mãe do anfitrião tinha que se virar para alimentar a tropa, sem tirar o sorriso do rosto e sem parecer ter sido pega de surpresa.
Em poucos minutos uma bacia estava cheia destas bolinhas enfeitadas com canela e açúcar, e não havia quem não comesse umas 20 e ainda pedisse mais por que acho que o Bolinho de Chuva era o prato oficial da infância, da descoberta dos sabores e da transformação que as mãos de fada de uma dona de casa simples e anônima era capaz.
Hoje em meio a processados, embalados, recheados de gordura vegetal ou biscoitos embalados em toneladas, a magia da transformação está meio esquecida. Confesso que de vez em quando nas manhãs de domingo, quando o relógio dorme um pouco mais, me pego fazendo a massa e com um bom bule de café quente mergulho em algumas destas cápsulas de magia e rejuvenesço alguns anos saboreando lentamente o que aprendi a fazer quando pequeno.
Alguém aí sabe fazer bolinho de chuva?
Neivaldo Silva “Magoo”
Jornalista, radialista e ex-vereador
*Esse é um artigo independente e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.