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Críticas, informações e discussões sobre o mundo do cinema e streamings, assinadas por Vinícius Lemos!

 

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Preço curto, prazo longo: CEO da Sony quer cinema mais barato e janela maior

Durante a CinemaCon, o presidente da Sony Pictures, Tom Rothman, apontou fórmula de sucesso com cinema mais barato, janela de exibição mais ampla e menos propagandas

, em Uberlândia

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Preços mais baratos, menos propagandas e uma janela maior de exibição. Essa foi a fórmula que o presidente da Sony Pictures, Tom Rothman, apresentou para atração de público para as salas de cinema durante fala na CinemaCon na última semana – e eu não poderia concordar mais. Claro, os cinemas no Brasil têm suas particularidades, mas esses três pontos de Rothman para que o ano de 2026 seja melhor nas bilheterias são ótimos pontos de partida.

“Ir ao cinema precisa voltar a ser acessível”, disse ele em Las Vegas. Eu entendo que a pipoca, a bebida e um doce tenham preços elevados em um bombonière. Para quem não sabe, o preço do ingresso não vai inteiramente para o exibidor, sendo dividido com a distribuidora com alíquotas diferentes para contratos diferentes.

Mas o que se arrecada com lanches fica para os cinemas. Sabendo que eles não podem barrar a entrada de alimentos trazidos pela plateia (com certo bom senso, claro), a empresa busca lucrar com seus próprios produtos. Todavia, este é apenas um dos custos do espectador, que precisa se deslocar até o cinema, pagar estacionamento e alimentação. Se o ingresso estiver em um patamar tão alto – e ele é o único custo verdadeiramente obrigatório -, aí pode causar aversão de público.

Tom Rothman esteve na CinemaCon – Créditos: Divulgação/Sony Pictures

“Pare com essa palhaçada de anúncios”, também afirmou Rothman. É bem verdade que o ganho extra que uma propaganda traz aos cinemas antes de uma sessão pode ser uma das formas de manter o negócio. Mas somando esse tempo com os trailers, você termina um pacote de pipoca antes do filme em si. O meio termo pode ser a solução. Traga suas propagandas, mas não me faça ficar uma eternidade assistindo ao conteúdo indesejado.

E nesse ponto tenho que discordar parcialmente com o CEO da Sony: “Quem vai ao cinema raramente vem na hora da sessão e odeia ser obrigado a assistir a comerciais intermináveis, o que não precisa fazer em casa, onde os filmes são gratuitos”, afirmou. Nesta segunda parte, até mesmo os caros serviços de streaming têm encaixado uma série de propagandas para os assinantes. Ou seja, temos visto anúncios na TV aberta, na fechada, nas plataformas e nos cinemas.

“Imponha janelas de exibição mais longas, mesmo que isso signifique que você não poderá exibir todos os filmes”, foi a terceira dica do executivo. Aqui vejo um problema. Deve haver uma janela de exibição. Só que, naturalmente, os mercados vão se regulando. Digo isso porque filmes de grande bilheteria tendem a ficar mais semanas em exibição.

A depender do projeto, o próprio realizador demanda isso de seu estúdio/distribuidor, como no caso de Oppenheimer, que chegou ao aluguel digital depois de meses e à Prime Video, quase um ano depois. Mesmo depois de uma bem-sucedida bilheteria na casa de bilhão de dólares.

O fato é que se o longa não tem uma boa atração, logo ele deixa os cinemas e passa pelo mesmo processo de aluguel e depois plataformas de streaming. Ele perde a oportunidade de fazer barulho no boca a boca e, talvez, melhorar desempenho na cauda longa, porém tenta recuperar prejuízos com outras formas de distribuição.

Fora que aumentar janelas de exibição nos cinemas para dois ou três meses, “mesmo que isso signifique que você não poderá exibir todos os filmes”, já acontece de certa forma, pois dificilmente filmes pequenos ou médios hoje têm vida longa nos cinemas. A realidade com serviços como Netflix depois da pandemia é a de que, geralmente, o grande público só sai de casa para um ou dois grandes lançamentos.

Óbvio que Tom Rothman se dirigiu à plateia estadunidense na CinemaCon. Se a gente olha para o Brasil, com um mercado exibidor bem menor, preços, propagandas e janela têm pesos diferentes na equação e o papo deve ser diferente.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais