Oscar: Diretor de Amarela fala sobre prêmios ao Cinema brasileiro
O curta Amarela figurou na pré-lista do Oscar e é um dos grandes da atual safra brasileira; André Saito falou à Outra Tela sobre o filme e o momento de nosso Cinema
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Seria mais uma jovem na torcida pelo Brasil na final da Copa de 1998, mas Erika é nipo-brasileira, e isso é o suficiente para que a jovem não seja aceita como de fato é: brasileira.
Amarela, curta-metragem brasileiro que figurou na pré-lista do Oscar de Melhor Curta, tem o que de melhor esse tipo de filme pode oferecer: mensagem forte e concisa.
São 15 minutos que terminam em um plano longo de partir o coração. Palmas para a ótima protagonista, Melissa Uehara, e para o diretor André Hayato Saito, que coescreve o filme ao lado de Luigi Madormo e Tatiana Wan.
Em entrevista à coluna OUTRA TELA, Saito contou que a produção teve estreia no Festival de Cannes, em 2024, para o qual foi selecionada para a Competição Oficial de curtas-metragens. “Uma honra e tanto”, disse, além da passagem pelo Festival de Toronto.

O filme não chegou às indicações ao Oscar de Melhor Curta-Metragem, mas bastou estar na chamada shortlist de um novo prêmio de renome para que ganhasse não só visibilidade. “O impacto maior não é apenas de visibilidade, mas de legitimação simbólica. Esses espaços fazem com que o filme circule em contextos onde ele talvez não chegasse sozinho: escolas, debates, outros países, festivais, comunidades. Mas, claro, as premiações e os reconhecimentos abrem muitas portas, passo a passo, inclusive para a realização de projetos futuros”, explicou Saito.
Saito complementa que estar em meio às premiações ajuda a criar confiança institucional, facilita coproduções e dá acesso a fundos sem estar preso a uma lógica puramente comercial. Não se esqueça: filmes também são peças de arte.
A produção teve, inclusive, a parceria da cantora e vocalista do grupo Pato Fu, Fernanda Takai, que ajudou na captação de verbas. Ela também foi o elo de Amarela com os compositores Lilian Nakahodo e Dudu Tsuda, autores da trilha do curta. “A participação da Fernanda Takai veio de um gesto muito bonito de generosidade, uma confiança no projeto e no que ele representava. Um dos grandes desafios foi justamente viabilizar o filme sem perder delicadeza e profundidade”, contou o diretor.
Aqui volto ao take que fecha Amarela. Ele precisa do contexto do filme até ali para fazer sentido, mas é quando a emoção embrulha o espectador, ao mesmo tempo em que demonstra como a técnica certa te coloca ao lado da personagem. A tomada se estende para que você se torne mais do que um espectador.
“A decisão de mantê-lo longo tem a ver com não roubar dela o tempo da dor. O choro é quase um transbordamento silencioso. Na execução, foi um dia inteiro só para essa cena. Foi preciso muita concentração para realizar toda a coreografia meticulosa desse plano-sequência.”
Deu muito certo.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais