Outra Tela

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Exclusivo: O Último Azul chega à Netflix e roteirista fala sobre expectativas

Tibério Azul, roteirista de O Último Azul, bateu um papo exclusivo com a coluna Outra Tela sobre streaming, prêmios e como Pernambuco tomou frente no Cinema do Brasil

, em Uberlândia

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O Último Azul, um dos principais filmes brasileiros de 2025, acaba de chegar à Netflix, e um dos roteiristas do longa-metragem, Tibério Azul, bateu um papo exclusivo com a coluna Outra Tela. Ele fala sobre as expectativas em relação à exibição da produção no streaming, o Cinema do Brasil em alta e o que Pernambuco tem, afinal, para conseguir liderar nosso país mundo afora no último ano.

Meu contato com Tibério foi inusitado: ele é amigo de grandes amigos meus, numa conexão entre Minas Gerais e Pernambuco. Por telefone, pudemos conversar nesta terça-feira (20/1), meu aniversário e data de estreia de O Último Azul na Netflix.

“Você sente que chega na casa das pessoas, então eu tô curioso pra ver como isso vai se dar, né? Porque é uma facilidade para as pessoas verem”, explicou Azul. Por muito tempo, a Netflix foi sinônimo de streaming e ainda hoje é a maior referência em plataformas do tipo. Comentei com o roteirista que se trata de um canhão de audiência para o longa. “Que frase bonita, né? Um canhão de audiência”, disse ele.

Tibério Azul com o Urso de Prata vencido pelo filme brasileiro – Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal

Não que O Último Azul não tenha recebido a visibilidade merecida. Tibério conta que foi se atualizar com a produção para uma entrevista e questionou para quantos países a obra havia sido vendida. “‘Eu vi que foi vendido para mais de 30 países, mas foram quantos?’ Ela (a produtora) disse: ‘Não, meu filho, o filme foi vendido para 70 países!’”.

Originalidade pernambucana

O Último Azul se passa em um Brasil no qual idosos, obrigatoriamente, precisam ser levados para colônias habitacionais distantes ao atingirem certa idade. A trama acompanha Tereza, que, aos 77 anos, não só recusa o destino que o governo lhe determinou, como embarca em uma jornada pela Amazônia.

O filme foi vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim em 2025, prêmio entregue em fevereiro do último ano. Uma vitória que antecedeu o Oscar de Filme Internacional de Ainda Estou Aqui, que aconteceria menos de duas semanas depois. As portas do Cinema do Brasil estavam abertas a premiações mundiais e era apenas o primeiro passo de talentos de Pernambuco levando a nossa sétima arte lá fora.

Tanto Tibério Azul quanto o diretor Gabriel Mascaro são pernambucanos, a exemplo de Kleber Mendonça Filho, homem por trás de O Agente Secreto — às vésperas de chegar ao Oscar de 2026. Aí eu pergunto: o que está acontecendo em Pernambuco, que tomou o cinema brasileiro?

“Cara, eu também não sei, não. Eu acho meio inacreditável. Tem alguma coisa diferente na água, deve ter. Mas, falando sério, tirando a piada, eu acho que é uma característica genuína da cultura e do povo (de Pernambuco), que é uma busca pela autoralidade, sabe?”

Tibério explica essa tese lembrando como a música de seu Estado arquitetou o movimento mangue beat de Chico Science, Nação Zumbi, Mundo Livre S.A. e muitos outros, com a linguagem visual própria de Mascaro e Mendonça Filho.

Letras de música e de roteiro

Aliás, o caminho do próprio Tibério Azul é bem original. Músico e homem das letras, até o período da pandemia de Covid-19, ele mesmo nunca havia escrito nenhum roteiro de cinema. O processo mais lento que o período impunha o ajudou a se gabaritar para a nova empreitada. “Como eu sou da escrita, foi uma experiência muito louca, e eu tive a sorte de ter um tempo dilatado. A narrativa eu domino, mas o cinema tinha uma linguagem muito peculiar, que eu precisava entender os meandros. Foi um roteiro escrito devagarinho.”

O roteiro final é dele e de Mascaro, com colaboração de Murilo Hauser e Heitor Lorega. Daí, quando a palavra passou a virar imagem, houve um processo de desapego e fascinação. “A experiência de você ver a palavra ganhar forma é muito interessante. E eu percebi que o cinema é uma arte coletiva, de fato, diferente de outras coisas que eu tenho um domínio maior da estrutura. No cinema, você tem que largar a sua produção, porque ela vai ganhar outros proprietários. Você escreve esse personagem, mas ele vai ganhar um rosto e um corpo, vem o ator que vai se colocar. E aí tem o diretor. Você cria seu filho, ele sai de casa. E aí, depois de um tempo, você o vê adulto e olha como ele se formou e está bonito!”, explicou Azul.

E não só a trajetória de O Último Azul foi bonita na recepção pelo mundo. O próprio filme é uma bela experiência. E como eu sempre digo, quando o filme brasileiro é reconhecido por premiações pelo mundo, melhor ainda é quando nós podemos ter acesso à produção. A produção teve uma boa rodagem pelos cinemas, inclusive em cidades do interior, como aqui em Uberlândia, e agora está disponível em larga escala no streaming.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais