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O Oscar brasileiro entre Vicentina Pede Desculpas e Feito Pipa

Entre Vicentina Pede Desculpas e Feito Pipa, o Brasil vive um raro dilema: escolher entre o potencial de uma grande campanha e resultados internacionais já comprovados

, em Uberlândia

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A revelação da pré-lista do representante brasileiro para o Oscar, divulgada nesta quarta-feira, confirma a força de Vicentina Pede Desculpas e Feito Pipa. Ao mesmo tempo, o melhor cenário possível para o cinema brasileiro também pode ser o mais cruel: temos dois filmes que parecem capazes de disputar o Oscar, ainda que isso possa diluir nossa força para mais uma indicação a Filme Internacional.

Os pré-selecionados são:

100 Dias — Carlos Saldanha
A Natureza das Coisas Invisíveis — Rafaela Camelo
A Fabulosa Máquina do Tempo — Eliza Capai
Feito Pipa — Allan Deberton
Nosso Segredo — Grace Passô
Vicentina Pede Desculpas — Gabriel Martins

Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, surge como o favorito natural. O diretor de Marte Um já conhece o caminho internacional, o filme terá passagem por Toronto e San Sebastián e conta com a Netflix, que prepara seu lançamento mundial em mais de 190 países.

Vicentina Pede Desculpas chega à Netflix em 20 de novembro – Crédito: Divulgação/Filmes de Plástico/Netflix

É o tipo de combinação que pode transformar uma boa candidatura em uma campanha internacional de verdade.

Há, porém, uma ironia no calendário. A Academia Brasileira de Cienemas escolherá seu representante em 16 de setembro, quatro dias antes do encerramento do Festival de Toronto. Ou seja: se Vicentina vencer um prêmio importante na competição, a comissão já terá feito sua escolha.

E, para quem não sabe, determinados prêmios de festivais tornam um filme elegível para a categoria de Filme Internacional sem precisar ser escolhido pela comissão oficial de seu país como representante. É o caso do filme de Gabriel.

Será preciso apostar no que o filme pode fazer, e não no que ele já fez.

Feito Pipa chega aos cinemas em 5 de novembro – Crédito: Divulgação/Biônica Filmes/Paris Filmes

É aí que entra Feito Pipa, de Allan Deberton. Ele já ganhou o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na Berlinale, além do prêmio de Melhor Direção em Gramado. São credenciais internacionais concretas, que demonstram que o filme consegue atravessar fronteiras e conquistar júris.

Por isso, vejo Vicentina como o filme de maior potencial de campanha, mas Feito Pipa como aquele que talvez esteja sendo mais perigosamente subestimado.

Se a Netflix realmente abraçar uma eventual campanha de Vicentina, se Gabriel Martins conseguir repetir o impacto internacional de Marte Um e se Toronto confirmar as expectativas, teremos um candidato fortíssimo.

Mas também seria perfeitamente compreensível escolher Feito Pipa e apostar em uma trajetória que já começou vencedora.

No fundo, a comissão não estará apenas escolhendo um filme. Estará escolhendo uma estratégia.

E esse é o dilema que torna a disputa brasileira: podemos ter dois filmes com condições reais de correr pelo Oscar, mas também poderemos abrir mão de um deles. É uma escolha de Sofia no sentido de: dá para ter mais chance com dois filmes ou é melhor focar naquele que parece ser mais forte por si?

A maior dificuldade é descobrir qual oportunidade o Brasil não pode se dar ao luxo de perder.

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Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais