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Filmes para conhecer: Os Suspeitos (2013)

Os Suspeitos, de 2013, faz parte do grupo de filmes na minha coleção que parecerem ter sido esquecidos com o passar do tempo, apesar de sua qualidade

, em Uberlândia

Há alguns filmes na minha coleção que, por vezes, revejo e, por mais que eles tenham tido notoriedade quando de seus lançamentos, penso que foram esquecidos com o passar dos anos. Ontem revi um deles: Os Suspeitos, ou Prisoners, no título original, de 2013.

Para começar esse papo, não confunda o longa com outro Os Suspeitos, de 1995 — e que também é excelente.

E ainda tenho que partir do argumento de que, de tão bom, diria que a produção está entre os três melhores filmes dirigidos por Denis Villeneuve. Veja, ele é um cara que tem obras como Incêndios, Duna, A Chegada, Blade Runner 2049 e Sicario no currículo.

Recapitulando aqui minhas listas, considerei Os Suspeitos o segundo melhor filme de 2013 que pude assistir — perdendo apenas para Gravidade.

Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal em atuações excepcionais – Crédito: Divulgação/Paris Filmes

Nessa nova visita, pude perceber que, como um todo, o filme está interessado mesmo em seus personagens e em como eles reagem ao inferno ao qual são submetidos.

A trama acompanha a penosa busca pelas filhas dos casais Keller e Grace Dover (Hugh Jackman e Maria Bello) e Franklin e Nancy Birch (Terrence Howard e Viola Davis). Elas desaparecem e dão início a uma corrida contra a probabilidade de encontrá-las vivas enquanto o tempo passa na cidade fria e chuvosa onde moram — bela e triste fotografia de Roger Deakins indicada ao Oscar. Surgem ainda o suspeito Alex (Paul Dano), sua melancólica tia, Holly (Melissa Leo), e, talvez a pessoa mais interessante entre eles, o detetive Loki (Jake Gyllenhaal).

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E repito, a trama é só um meio para o verdadeiro foco do filme: seus personagens e suas reações.

Por isso eu digo que, se Os Suspeitos tem algum problema, ele está na falta de espaço para os personagens de Terrence Howard e Viola Davis, que são preteridos em relação aos protagonistas incontestáveis do filme, Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Poderia dizer o mesmo sobre Maria Bello, que tem apenas uma cena com propósito relevante: o momento em que cobra o marido sobre a segurança que ele lhe dava e que se desfaz com o sumiço da filha.

Em uma análise mais fria e sem levar em consideração as inúmeras amarrações que o roteiro de Aaron Guzikowski faz, Os Suspeitos não é muito diferente de centenas de outros filmes de suspense e drama que já foram concebidos; afinal, há um crime a ser desvendado, guinadas e investigações. Mas é o caminho a ser trilhado que faz essa produção estar um patamar acima das demais. Basta dizer que há uma sensação de desespero genuíno, e você se pergunta para onde ir se não há mais pistas.

A direção de Villeneuve praticamente dá licença para que os atores de seu filme se desenvolvam. O cineasta sabe do potencial do material sem precisar reinventar a roda.

Perceba como Loki tenta esconder uma tatuagem no pescoço fechando a camisa até o último botão para que não atentem ao fato de que ele já esteve em um reformatório — ele próprio conta sobre a detenção a um padre. O fato de crianças estarem desaparecidas o liga de maneira pessoal ao caso. Ao padre investigado, ele sugere que o internato onde esteve era um lugar de pedófilos. Seria esse passado que o levou a ter o tique de piscar o olho rapidamente? É o mesmo tipo de minúcia de atuação que pode levá-lo às lágrimas diante das reações de Jackman. Em determinada altura, ele treme a boca, deixando transparecer a raiva de não ter informações da polícia sobre sua filha, além de tremer a mão ao ver uma foto chocante. Da mesma forma, Paul Dano cria um tipo de expressão infantilizada e uma voz fina que não são exatamente sutis, mas são de extrema qualidade.

Ainda que cheio de pormenores, Os Suspeitos consegue ser violento temática e graficamente, o que, ainda assim, não descamba para um fim em si mesmo, mas surge como consequência de tudo o que se passa na vida das várias pessoas afetadas pelo rapto das crianças. Um filme que, de tão satisfatório, sabe quando finalizar sua caminhada para que não se torne óbvio — e entende que o clímax aconteceu minutos antes.

Gostaria de ver mais pessoas falando sobre a obra, que, inclusive, hoje está apenas em plataformas de streaming menos populares ou em aluguel digital.

Vale a conferida, de qualquer maneira.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais