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Expectativas, videolocadoras e Ichi – O Assassino

Sabe quando a expectativa é demais? Talvez eu tenha sofrido disso na época das videolocadoras enquanto procurava o cult Ichi - O Assassino

, em Uberlândia

Sabe quando a expectativa é demais? Talvez eu tenha sofrido disso na minha época das videolocadoras — e a dificuldade de acesso do período certamente agravou o problema.

No início dos anos 2000, as locadoras de filmes tinham seu espaço e o DVD ia tomando o lugar das antigas fitas VHS.

Foi lá em 2002 — acho — que li a respeito de um filme chamado Ichi – O Assassino, de Takashi Miike. Vi algumas fotos, li algo sobre a violência e a estilização e logo a produção se tornou daquelas que precisava ser assistida. O problema era encontrar o filme para alugar na minha cidade, Uberlândia. Tratava-se de um longa-metragem com pouco apelo comercial, numa época em que streamings não existiam — e, para ser bem sincero, hoje mesmo Ichi – O Assassino não está disponível oficialmente no Brasil.

Ichi, O Assassino é dirigido por Takashi Miike – Créditos: Divulgação/Europa Filmes

Cheguei a fazer uma pequena busca por locadoras na cidade e, claro, não o encontrei.

Logo o filme se tornou cult e, por mais que tenha ganhado um mínimo de fama, nada de se tornar um pedido tão recorrente a ponto de as videolocadoras correrem atrás.

Cinema, por óbvio, não seria uma opção. E, se você está pensando em pirataria, lembre-se de que a internet banda larga no Brasil ainda não havia se tornado popular.

Enquanto eu me frustrava por não conseguir assistir a Ichi – O Assassino, lia críticas positivas e comentários do público sobre a bizarrice da produção, e a expectativa só aumentava.

Bom, anos depois — não sei dizer quanto tempo —, lá estava eu em uma das melhores locadoras de Uberlândia, a finada Master Video, na avenida Getúlio Vargas. Tinha me tornado cliente havia pouco tempo e, sem querer, encontrei o tal Ichi – O Assassino em uma das várias prateleiras do lugar. Enfim.

Até duvidei que fosse o longa que procurei por tanto tempo. Fui até o balcão e cheguei a comentar com a pessoa que me atendeu: “Olha, estava atrás desse filme havia tempo…”

Ritual iniciado, tirei o disquinho da capinha genérica de locadora e o coloquei para rodar no DVD. Duas horas depois, missão cumprida.

Satisfeito? Não.

Eu simplesmente não gostei de Ichi – O Assassino. Tanto tempo para tão pouca recompensa.

Pois é. Lá estava eu tão frustrado quanto antes.

Muito tempo depois, conversando com um colega cinéfilo, ele ficou surpreso quando disse que não tinha gostado de Ichi – O Assassino. Hoje me pego pensando nisso e imagino que devo rever o longa.

Havia muita expectativa, eu era bem mais novo e tinha menos bagagem de cinema. Minha opinião pode ter sido afetada.

E, quem sabe, esperar tanto para ter acesso ao longa não me fez superestimá-lo?

De qualquer maneira, encontrar o filme ainda não é tarefa tão simples quanto abrir um aplicativo de streaming. Um dia vou reassistir. Sabendo que um dia Ichi – O Assassino foi meu filme mais procurado e, no fim, me desagradou, talvez eu chegue a um meio-termo.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais