Outra Tela

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Crítica: quase me esqueço de Primeiro as Damas

Quando comecei a escrever minha crítica percebi que já havia esquecido boa parte do que pensara sobre Primeiro as Damas

, em Uberlândia

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Eu assisti a Primeiro as Damas há umas duas semanas e, por não ter gostado muito do filme, fui publicando outros conteúdos na coluna Outra Tela que tinham maior importância. Quando comecei a escrever minha crítica percebi que já havia esquecido boa parte do que pensara sobre a produção, que está disponível na Netflix.

Isso sempre é um problema para qualquer filme — ou deveria ser, já que muita gente gosta desse tipo de conteúdo para deixar rolando enquanto faz outra coisa. Bom, é esse grau de simpatia que o longa-metragem desperta. Você não fica exatamente chateado nem feliz ao assisti-lo e o esquece muito rapidamente. É daquelas comédias que não fazem rir de verdade e das quais você esboça uma ou outra risada.

O grande problema, contudo, é que a mensagem importante de Primeiro as Damas é marcada por um didatismo e uma falta de profundidade impressionantes.

Aqui temos um protagonista machista que, para se manter em uma posição de trabalho, contrata uma mulher para preencher, de qualquer forma, uma diretriz inclusiva da empresa. Quando sua esperteza é descoberta, circunstâncias fazem com que esse mesmo homem acorde em uma sociedade matriarcal que reproduz as mesmas práticas do machismo real.

Filme tem Sacha Baron Cohen e Rosamund Pike no elenco principal – Crédito: Divulgação/Netflix

O que se tem em seguida é o preenchimento de caixinhas que precisam ser marcadas para que haja uma aulinha sobre como os homens se comportam e o personagem de Sacha Baron Cohen precisa entender que está errado. Se, por um lado, isso é compreensível em um nível muito básico, o assunto nunca rende risadas para valer. Minto: há um momento em que ele aceita sair com uma chefe e faz uma performance sensual, por assim dizer, da qual eu ri de maneira bem franca. Mas é só. O resto parece um manual para jovens.

Tudo bem, é inofensivo e até pode render alguma reflexão para uns e outros. Mas, cinematograficamente, é bastante comum também.

Barbie, que trata de um assunto muito parecido, tem bem mais estofo, por exemplo.

Curiosidade: Primeiro as Damas é uma refilmagem de Não Sou um Homem Fácil (2018), que também está na Netflix.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais