Crítica: O Drama tem elenco afiado e montagem inteligente
O Drama acaba de chegar no Prime Video e demonstra que mesmo uma história conhecida pode ser trilhada em caminhos diferentes
Histórias de relacionamentos que se complicam existem aos montes, mas é sempre bom quando se encontra uma que ganha novos contornos e que não precisa de um roteiro mirabolante. O Drama, que chegou à Prime Video, é muito bem escrito, é verdade, mas estaria fadado ao fracasso caso não tivesse uma montagem tão bem executada.
Para ser justo, o elenco também merece crédito especial. É a junção do casal de protagonistas e dessa montagem inteligente entrega um filme que nos prende logo de início. A cena do encontro de Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) junta os dois elementos de forma energética e logo entendemos do que se tratam aqueles primeiros minutos contados de forma não linear — ainda que pareça.
O casal, então, prestes a se casar, resolve fazer uma brincadeira com os padrinhos principais, e é aí que a coisa se complica. Quando o noivo é pego de surpresa sobre o passado da companheira, o fato se torna algo tão desconcertante que o matrimônio, ainda nem celebrado, é ameaçado.
Gosto de deixar o plot do filme de uma forma muito comum para que seja entendido que não é a direção que ele vai tomar que verdadeiramente importa, mas sim o que nos é apresentado enquanto um caminho conhecido é trilhado.

Kristoffer Borgli, além de dirigir e escrever, monta o filme ao lado de Joshua Raymond Lee e nos coloca ao lado do casal exercitando possibilidades naquele contexto. Em meio a uma conversa tensa, por exemplo, é inserida uma pequena cena em que ambos riem da situação e se abraçam para, logo em seguida, entendermos que aquilo ali não passou de uma vontade de um dos dois para que aquele climão todo fosse desfeito de maneira menos pesada.
Mas esse recurso não é usado apenas uma vez e, especialmente, Charlie imagina o passado de Emma de diversas formas, ao mesmo tempo em que esses relances são também uma forma de flashback da garota — o que fala sobre como ela está se sentindo e nos conta muito de seu passado.
Com o passar do tempo, isso se torna cada vez menos sobre os personagens e mais sobre o clima que o filme quer passar, o que é ótimo para que O Drama não se torne apenas um filme sobre um relacionamento com problemas.
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Junte isso a uma atuação excepcional de Pattinson, enquanto Zendaya se torna cada vez mais retraída, e chegamos àquela sequência final que lembra muito Festa de Família, de 1998, em que a tensão ganha mais e mais corpo cada vez que o padrinho bate com o talher na sua taça propondo um discurso.
O Drama é sobre relacionamento, mas também sobre como conhecer o outro pode ser amedrontador. Seus caminhos não são dos mais originais, mas são precisos para que aquela história seja contada com os melhores recursos que o cinema pode dispor: um bom texto, um bom elenco e uma boa montagem.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais