Crítica: Extermínio – O Templo dos Ossos dá estofo à volta da franquia de zumbis
Se no filme anterior, que retomou a franquia, havia dúvidas sobre para onde estávamos indo, Extermínio - O Templo dos Ossos arremata muitos dos temas abraçados
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Quando os novos filmes da franquia Extermínio foram anunciados, a ideia era uma nova trilogia — chegando ao total de cinco filmes da marca, incluindo a volta de nomes importantes, como o diretor Danny Boyle, o roteirista Alex Garland e o ator Cillian Murphy. É comum que filmes do meio de uma trilogia se tornem apenas fillers, mas, com a estreia de Extermínio – O Templo dos Ossos, o que se percebe é que o preenchimento dessa nova empreitada foi o longa anterior, Extermínio – A Evolução.
O ganho de corpo que temos nesse novo longa para o grande arco dessa retomada de Extermínio deixa muita coisa clara. A Evolução era um novo estabelecimento de personagens e de mundo, justamente 28 Anos Depois, como diz o título original. Se não fosse a sombra do excepcional filme original, de 2002, é quase como um novo projeto. E isso pesou contra ele.

Bom, muita coisa sobre personagens do filme anterior ganha direcionamento, como o bizarro Jimmy e sua trupe, que surge de maneira estranhíssima ao fim do filme de 2025, o próprio Dr. Kelson (Ralph Fiennes – espetacular) e sua motivação, além do zumbi alfa, que agora vai além de um grande chefe de fase de videogame. A trama é meio que o que se espera daquilo: o homem é o pior que se pode ter mesmo em um mundo infestado de zumbis; haverá quem vá buscar uma solução, e ser uma criança no meio disso tudo é doloroso. Esses três pilares sustentam O Templo dos Ossos, com gente já conhecida e com a apresentação de novas pessoas daquele lugar.
Mais uma vez, é como essas linhas narrativas são desenvolvidas que vale a atenção. O filme mistura crueldade, gore e empatia até por personagens que você não esperava. Tudo isso com pitadas de graça e contemplação surpreendentes (de novo).
É preciso um pouco de paciência para entender que tudo isso vai se acumular até um final apoteótico e simbólico. Leve em consideração a filosofia religiosa e sua iconografia para sacar o quanto o roteiro de Alex Garland subverte o que poderia ser falta de originalidade.
Até mesmo a utilização de uma canção do Iron Maiden é tão óbvia que você meio que não espera ouvi-la (mas que é o ponto alto do filme), e isso se torna uma quebra de expectativa dentro de uma trilha que inclui muito Duran Duran.
A boa volta que Extermínio faz no seu arco principal, com O Templo dos Ossos, gera expectativas para o fechamento da futura pentalogia.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais