Crítica: Dupla Perigosa só tem perigo no título
Da mesma forma que o título nacional, Dupla Perigosa, é genérico, você já viu tudo o que esse filme tem a oferecer
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Exceto por uma grande cena com efeitos visuais bem ruins, não há nada que vá te desagradar terrivelmente em Dupla Perigosa. Mas, da mesma forma que o título nacional do filme é genérico, você já viu tudo o que ele tem a oferecer.
Eu mesmo não dei play no longa-metragem, disponível na Prime Video, esperando grandes coisas. Confesso que fui surpreendido pela primeira grande cena de ação, com uma luta absurda de Jason Momoa contra membros da Yakuza — e eu não usei a palavra “membros” à toa na frase. Divertida, a sequência inclusive é precedida do momento que me trouxe à produção. Nela, Morena Baccarin coloca Momoa em seu lugar em um bom diálogo com o uso do idioma português.
Pois bem, estava eu investido em Dupla Perigosa também pela bela ambientação inicial no Havaí. Só que aí o roteiro dá aquela “barrigada” para estabelecer um drama que está um tom acima do que o filme nos ensinou sobre si momentos antes — depois da pancadaria, eu esperava tudo, menos drama aqui.

Momoa encontra o meio-irmão vivido por Dave Bautista, e eles vão investigar a morte do pai ausente. E está lá tudo o que você precisa saber sobre a trama. Há ainda algumas cenas de ação que, num primeiro momento, podem parecer boas, com explosões e tiros. Mas também são mais do mesmo, quando você para e pensa sobre elas.
Pior ainda quando, na grande set piece do filme, temos o uso de helicópteros e carros com complementos digitais de terceira linha, com atores à frente de uma grande tela verde muito mal-acabada. Era para ser a grande sequência de perseguição de Dupla Perigosa, só que não convence e ainda tem direção fraca e informações que surgem do mais absoluto nada.
O fato de a personagem de Morena Baccarin ser, aparentemente, piloto profissional só reforça que aqui qualquer um tem talentos especiais — como o vilão que, no terceiro ato, se revela um lutador à altura dos protagonistas (um policial e um militar da Marinha).
Em defesa da produção, posso dizer que, quando ela volta ao tom jocoso, misturando filmes de parceiros com Comando para Matar, é possível relaxar um pouco.
Só que é o máximo que posso dizer, até porque, ainda que a química entre Bautista e Momoa seja OK, tem coisa melhor por aí.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais