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Crítica: Dia D tem muita ação ruim e pouco alienígena

Talvez o pior filme de Steven Spielberg, Dia D até te atrai inicialmente, mas quando o mistério oco é percebido a coisa fica feia

, em Uberlândia

Me lembro de assistir a Ponte de Espiões, de 2015, e terminar afundado na poltrona sem qualquer sentimento pelo filme. Dizem que uma produção que não te provoca qualquer reação é o pior dos tipos. Mas assistir ao exercício de irritação chamado Dia D, também de Steven Spielberg, é uma tarefa bem mais complicada.

Primeiro por se tratar de uma premissa que, se não é original, ao menos te traz para dentro da trama com seus mistérios iniciais. Há o personagem que teria a prova definitiva da presença de alienígenas na Terra e há uma mulher que passa a ter comportamentos estranhos e que indicam manipulação alienígena. Os dois correm muito de uma companhia malvadona. Tudo isso sendo apresentado enquanto o filme parece já estar alguns passos à nossa frente.

Divulgação/Universal Pictures

É fácil pegar o bonde de Dia D. Mas, com o passar da história, tudo vai se tornando cada vez mais incômodo. Aos poucos, percebemos que estamos em uma grande perseguição, e aquele fascínio ou mesmo medo que uma trama envolvendo vida extraterrestre pode trazer se tornará a décima parte de tudo o que o fraco roteiro de David Koepp tem a oferecer.

E, por mais que estejamos prontos para sermos servidos de doses de fantasia alienígena, existem três artefatos aqui que mais parecem coisa de O Senhor dos Anéis. Eles são totens usados tanto para invadir mentes quanto para ligar a luz de um estúdio ou te deixar invisível.

Fora que o contexto de fim do mundo que o longa quer passar nunca é bem explicado e, quando tenta dar uma dimensão disso, você tem apenas uma loja de conveniência e um posto de combustíveis lotados.

Se Spielberg é um mestre do cinema e filma movimentação como pouquíssimos, chega a ser engraçado ver essa maestria a serviço de uma passagem em que, em fuga, um personagem se aproxima de seus algozes de forma nada cautelosa, pega um carro com a facilidade de uma comédia bobinha e consegue seguir com o veículo em meio a tiros disparados com a pior mira desde que um stormtrooper pegou em uma arma. Tudo isso com aquela câmera fluida do velho Steven passando um verniz sobre uma sequência absurda.

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E essa nem é a pior cena, espere pessoas “treinadas” sendo feitas de trouxas em uma casa invisível e seus tropeços de filme infantil.

Dia D me parece ter sido escrito a partir de uma ideia de revelação que não tinha muito estofo e foi recheada com um filme de ação ruim e cenas aleatórias de experimentos inócuos em crianças.

Dito tudo isso, Emily Blunt, com seu carisma extremo, quase salva essa bomba. Mas ela sozinha contra esse roteiro fica difícil.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais