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Como Frozen ajudou na explicação do mistério do Passo Dyatlov

O Incidente do Passo Dyatlov ocorreu em 1959 foi um mistério até 2021, quando cientistas, inspirados pela animação Frozen, publicaram uma teoria que explicaria o caso

, em Uberlândia

Lançado em 2013, Frozen resolveu um mistério de mais de 50 anos. Exagero. Mas foi por causa da animação da Disney que, em 2021, uma hipótese pôde, enfim, explicar o mistério do Passo Dyatlov. Antes, um contexto.

O Incidente do Passo Dyatlov ocorreu em 1959, nos montes Urais, na então União Soviética, e envolve a morte de nove jovens montanhistas experientes durante uma expedição de esqui. Liderados por Igor Dyatlov, o grupo montou acampamento em uma encosta nevada, mas, durante a noite, algo inexplicado fez com que abandonassem a barraca às pressas, chegando a cortá-la por dentro para sair. Eles deixaram o abrigo em condições extremas de frio, mal vestidos e sem equipamentos adequados para sobreviver.

Dias depois, equipes de busca encontraram os corpos espalhados pela neve, a certa distância do acampamento. Parte do grupo morreu de hipotermia, enquanto outros apresentavam ferimentos graves, como fraturas no crânio e no tórax, incompatíveis com uma simples queda. Alguns corpos também estavam sem roupas apropriadas ou com peças trocadas entre si, o que aumentou ainda mais o mistério. A investigação soviética da época concluiu apenas que uma “força desconhecida” teria causado as mortes, sem apontar uma explicação definitiva.

Durante décadas, o caso gerou diversas teorias — desde ataques de animais e testes militares até alienígenas.

Acampamento destruído durante as investigações do caso – Créditos: Divulgação

E o Frozen com isso?

Foi ao ver a qualidade da animação da neve do filme da Disney que os engenheiros Johan Gaume e Alexander Puzrin elaboraram sua hipótese. Especialmente Gaume ficou impressionado com os efeitos da neve de Frozen. Ele, então, procurou os animadores do estúdio norte-americano. Como esses profissionais desenvolveram modelos avançados de simulação de neve para tornar as cenas mais realistas, o cientista queria usar o mesmo tipo de processo, o que o levou a modificar os códigos de suas simulações.

Em parceria com Puzrin, Gaume usou simulações físicas para testar a hipótese de um tipo específico de avalanche que explicaria o ponto de partida que costuraria toda a movimentação do grupo antes de sua morte.

Não é que Frozen resolveu o mistério, mas ajudou a inspirar ferramentas e métodos para um modelo científico rigoroso, o que deu base à hipótese da chamada avalanche de placa.

A teoria

Os dois cientistas propõem que o grupo não foi atingido por uma avalanche “clássica”, mas por um tipo específico chamado avalanche de placa — menor, mais sutil e difícil de detectar depois.

Segundo Johan Gaume e Alexander Puzrin, os montanhistas cortaram a neve para montar a barraca, sem saber que havia uma camada fraca sob a superfície. Esse corte deixou a neve acima instável — como uma “placa” prestes a deslizar. Horas depois, ventos fortes acumularam mais neve no local. Esse peso extra fez a camada ceder, provocando uma avalanche pequena, mas suficiente para atingir a barraca.

A avalanche não foi grande, por isso não deixou muitos vestígios. Ela teria causado ferimentos graves em alguns membros, como no tórax e no crânio. O grupo então cortou a barraca por dentro e fugiu, com medo de outra avalanche. Sem roupas adequadas, acabaram morrendo de hipotermia.

O ponto-chave é que ela resolve várias contradições antigas, explicando por que não havia sinais claros de avalanche, justificando os ferimentos incomuns e dando razões para o comportamento estranho de fuga desorganizada, sem roupas. Além disso, aponta que a avalanche pode ter sido atrasada por horas — algo raro, mas possível.

A hipótese foi publicada oficialmente em 28 de janeiro de 2021, na revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, com o título “Mechanisms of slab avalanche release and impact in the Dyatlov Pass incident in 1959”.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais