Quase 1 mês depois, investigado por atear fogo em amigo em MG é preso
Defesa contesta prisão preventiva e quer que cliente responda ao processo em liberdade; vítima segue internada e já passou por 4 cirurgias
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O homem de 22 anos, investigado por atear fogo no corpo de um amigo de infância, durante uma confraternização na zona rural de Lagamar, teve o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil de Minas Gerais nesta quinta-feira (02)
O suspeito foi localizado e detido na última quinta-feira (2) por equipes da Delegacia de Polícia Civil de Presidente Olegário e encaminhado diretamente ao sistema prisional.

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Relembre o crime
O caso foi registrado no dia 7 de junho, quando a vítima, Luiz Emanuel Maciel Marcolino, teve o corpo incendiado pelo colega, após uma brincadeira.
Segundo relato de Luiz, ele, o autor e um grupo de amigos estavam em uma fazenda na zona rural de Lagamar. Após a confraternização, quando teriam ido até a casa do investigado dentro da fazenda, a vítima conta que teria colocado uma música para tocar em seu celular para fazer uma brincadeira com o amigo de infância.
O suspeito teria se irritado com a atitude do amigo e com as risadas do grupo e, assim que Luiz foi dormir em uma barraca montada na sala da casa, jogou um líquido inflamável sobre o colega. No momento em que percebeu a situação, o jovem saiu da barraca e se deparou com o autor tentando incendiar a estrutura em que ele estava.

Segundo a vítima para Record de Belo Horizonte, o investigado tentou atear fogo por duas vezes sem sucesso, e na terceira vez tudo teria explodido. Por estar com o corpo molhado, ele conta que as chamas começaram a subir em seu corpo de baixo para cima.
Luiz ainda explicou que, já com o corpo em chamas, correu em direção à cozinha para tentar apagar as chamas com água da torneira. Sem sucesso, correu para a área externa da casa, tirou a camisa e a jogou no chão.
“Não sabia o que fazia. Lembro que quando parei de pegar fogo, já tinha andado uns 20 metros, perto da porteira da saída. Quando virei e olhei para onde eu estava, tinha uma labareda grande”, disse.
Jovem foi socorrido por amigos e teve 50% do corpo queimado
Segundo registro da Polícia Militar, o autor teria tentado apagar o fogo da barraca com um balde de água. A vítima confirma a versão, mas alega que o investigado não o teria socorrido após ter o corpo incendiado.
Segundo relato à reportagem de Belo Horizonte, o jovem contou que começou a perder a consciência e a desmaiar devido à intensidade da dor, momento em que foi amparado por outros integrantes do grupo e colocado dentro de um carro. Um dos colegas, também de 22 anos, chegou a sofrer queimaduras em uma das mãos ao tentar ajudar o colega em chamas.
Luiz Emanuel foi socorrido inicialmente ao Hospital de Lagamar e, devido à gravidade do quadro clínico, acabou transferido para o Hospital Municipal de Patos de Minas, onde permanece internado há quase um mês. Com queimaduras de 2º e 3º graus espalhadas por 50% do corpo, o jovem já passou por quatro cirurgias complexas e depende de doses contínuas de morfina para conter as dores.
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Defesa do investigado contesta prisão por homicídio
Embora o boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Militar no dia do crime tenha registrado o caso inicialmente como lesão corporal, citando que o autor teria tentado conter as chamas com um balde de água, o avanço das apurações lideradas pela Polícia Civil de Presidente Olegário embasou o pedido de prisão por tentativa de homicídio qualificado.
Em nota oficial enviada à imprensa, o advogado Cássio David Araújo, responsável pela defesa técnica do investigado, informou que respeita a decisão judicial, mas discorda da aplicação da “medida cautelar extrema”.
É argumentado que o jovem se colocou à disposição da autoridade policial desde o início das investigações, possui endereço fixo, é réu primário e tem bons antecedentes criminais, o que sustentaria medidas cautelares alternativas, sem suprimir a liberdade de quem ainda não foi condenado.
O advogado informou ainda que acionará o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por meio de um pedido de habeas corpus para que o cliente possa responder ao processo em liberdade. O investigado permanece registrado no sistema prisional da região, à disposição do Poder Judiciário.