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Críticas, informações e discussões sobre o mundo do cinema e streamings, assinadas por Vinícius Lemos!

 

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Clipes: Michael Jackson sempre trabalhou com diretores importantes

A maior astro do pop, Michael Jackson, invariavelmente fez clipes com diretores que já eram ou se tornariam importantes no mundo do Cinema.

, em Uberlândia

Um coisa certa é que Michael Jackson não só inovou na música como também nos clipes, mas, para isso, contou com o talento de gente vinda diretamente do cinema, com nomes como Spike Lee e Martin Scorsese.

John Landis

Começo com o nome que fez não só o maior dos vídeos do astro do pop, como também voltaria a inovar anos depois com outro clipe de grande porte: John Landis. É dele a direção de “Thriller“, que certamente está no alto da lista de filmes de MJ. E, quando digo filmes, não exagero. Com 14 minutos, este é um verdadeiro curta-metragem de horror que fica no limite do camp, mas que empolga. Tem narrativa e não só imagens estilizadas que compõem um mosaico. O fato de a música-base trazer narração de Vincent Price e de Landis ter saído do clássico Um Lobisomem Americano em Londres costura a diversão do clipe. Coreografia e maquiagem são elementos que dispensam comentários positivos.

Mas isso foi em 1983. Em 1991, a parceria entre Michael e Landis rendeu o vídeo de “Black or White“. Inclusive, esse deve ter sido o primeiro clipe do artista que vi na vida. Lá, eu era uma criança de 7 anos que ficou bem impressionada. Diferentemente de “Thriller”, esse novo clipe não tem uma trama, por assim dizer, contando apenas com um prólogo com Macaulay Culkin expulsando o pai para o continente africano com sua guitarra. Dali, Michael Jackson passa por várias regiões do mundo e da história, culminando em uma sequência que rendeu comentários entusiasmados: a transformação de rostos de homens e mulheres de diferentes etnias como num plano único de coreografia pescoço/cabeça. Lembre-se de que se tratava do início da década de 1990 e a computação gráfica engatinhava.

MJ e Landis no set de Black or White – Créditos: Divulgação

Spike Lee

They Don’t Care About Us” tem uma história intimamente ligada ao Brasil, porque Lee trouxe MJ ao país e gravou o clipe da canção no Rio de Janeiro e em Salvador. À época, confesso, não me empolgou tanto. Hoje vejo que, ainda que se trate de um vídeo bem mais comum, ainda assim tem mais espontaneidade que qualquer outro de Michael Jackson. Inclusive, Spike Lee leva um tombo quando tenta conter mulheres que faziam parte da figuração e invadem a área de filmagem para abraçar o cantor. Ficou no corte final, assim como as “interações” de Michael com os policiais (imóveis), com a população do Morro Santa Marta, no Rio, e com os músicos do Olodum, no Pelourinho.

Lee trouxe Michael ao Brasil – Créditos: Divulgação

 

Martin Scorsese

Bad” me parece uma evolução natural de “Thriller”. Se o primeiro foi uma experimentação ousada, “Bad” é o passo seguinte. De novo, um clipe envolto em um filme em curta-metragem. O corte original tem 18 minutos, tendo não só a direção de Martin Scorsese, como também roteiro do romancista e roteirista Richard Price (A Cor do Dinheiro), fotografia de Michael Chapman (Taxi Driver, Touro Indomável) e montagem de Thelma Schoonmaker (Os Bons Companheiros). Michael Jackson é a estrela e seu coadjuvante é Wesley Snipes. Quer dizer, aqui temos produção cinematográfica em cada posição.

O porém é que a qualidade da equipe não garante o melhor dos clipes de MJ. Há uma ótima estilização no prólogo, que cria drama para o filme, mas isso é bem dissonante da verdadeira razão de ser da produção: a coreografia. É quando “Bad” ganha cor e dança. Ainda que seja legal de assistir, são trechos muito diferentes entre si, e isso traz certa estranheza.

David Fincher

De 1992, “Who Is It” tem muito a aparência de sua época, como luzes estouradas mesmo em um ambiente frio e lúgubre. Há narrativa aqui, contada sem diálogos, mas por imagens que passam a mensagem num tom mais psicológico do que literal. Visto hoje, é bem comum, inclusive se a gente tomar por base que David Fincher já havia feito “Vogue” para Madonna e seria um dos maiores diretores de cinema nos anos seguintes, com filmes como Se7en e A Rede Social.

John Singleton

O diretor tem um dos melhores filmes da década de 1990, Os Donos da Rua (1991), e é bem curioso que o tom pesado daquela produção contraste tanto com “Remember the Time“. Aqui há bastante humor, e o clipe beira o juvenil, com efeitos visuais e cenas de perseguição que se passam num Egito antigo muito particular, cujo faraó é Eddie Murphy. Tem ainda Shaquille O’Neal e a modelo Iman — ambos mostrando que o forte deles não é atuar. O clipe vale mesmo pela coreografia final — muito bem editada, vale salientar.

Michael Jackson como Captain EO, dirigido por Coppola – Créditos: Divulgação/Disney

Bônus

Michael Jackson ainda trabalhou com ninguém menos que Francis Ford Coppola. Não se tratou de um clipe, por assim dizer, mas “Captain EO” é um filme exibido nos parques da Disney de 1986 a 1990, em um formato 3D primitivo. Dizem que essa exibição ainda tinha efeitos de luz e fumaça nas salas como atração extra para quem estava no parque. De longe, é a pior coisa que você pode ver desta lista. Com 17 minutos, o que poderia dizer é que se trata de um Caravana da Coragem sem os ewoks e com um momento musical sofrível, com uma luta em meio à dança ao som de “Another Part of Me” e “We Are Here to Change the World”. Tem uma perseguição ao estilo Star Wars e, não à toa, foi produzido por George Lucas.

Ainda em 1991, para o lançamento de seu álbum “Dangerous”, Michael Jackson contratou David Lynch (Cidade dos Sonhos e Twin Peaks). Ele dirigiu um vídeo abstrato até a tampa como teaser de promoção do disco. Tem alguns segundos, traz o rosto de MJ ao final e não faz nenhum sentido. Mas Michael não poupava despesas.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais