A Empregada tem tom sensual, mas falta sal, pimenta e roteiro
Em A Empregada, o diretor Paul Feig quer ter seu Garota Exemplar, mas não é até curiosa essa comparação
A certa altura de A Empregada, já não gostando muito do filme, ele tem sua maior reviravolta e me veio à cabeça a seguinte iluminação: “mas olha A Empregada tentando ser Garota Exemplar…”. Audácia máxima em uma entrega tão fraca.
O diretor Paul Feig aqui está mais para aquele que fez a besteira chamada Um Pequeno Favor do que para o cara que entregou Missão Madrinha de Casamento ou a versão feminina de Caça-Fantasmas.
Para toda a sofisticação que o filme emula, há sedução e tensão afetadas permeando a produção.

Há, claro, a curiosidade. Nisso, o longa não pode ser julgado. Ele vai segurando o quanto pode o seu segredo.
E olha que ele até tenta justificar certos comportamentos da personagem de Amanda Seyfried — quase consegue, inclusive —, mas à Sydney Sweeney sobra malícia para quem precisa ser tão inocente.
E tome diálogos pedestres e charme baseado em dinheiro infinito, como só o cinema sabe fazer.
Daí, quando a “virada Garota Exemplar” chega, o roteiro descamba para o suspense mais básico, com as mais diversas conveniências e a adição de um vilão caricato, além de uma cena final que abre possibilidade para uma provável continuação — o filme foi bem nas bilheterias.
E, como dito antes, em termos de curiosidade o longa não pode ser julgado. Até me deu certa vontade de ver que rumo A Empregada 2 tomaria; afinal, a sugestão é tão absurda que consegui rir.