Um Natal para refletir e escolher o melhor para si
Mais do que aversão à essa época uma chance para fazer o que importa
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Foi logo cedo. Tinha passarinho ainda preguiçoso se equilibrando no fio. Eu bem vi o bem-te-vi com os olhos de sono. Eu sentada e minha amiga caminhando pela sala quando ela confessou:
Não gosto do Natal!
Eu deixei o silêncio seguir por instantes para dar um tempo à amargura compreensível dela para depois perguntar o porquê daquele sentimento. Pelo que entendi, há a melancolia natural a todos nós que já passamos por perdas, decepções e dificuldades.
Na jornada dessa querida, há também a morte de uma tia, o filho distante e a questão financeira. Mudei o rumo da prosa para não afundar em tristeza tão perto de uma data que é assim: divide opiniões até mesmo na hora de incluir ou não a uva passa em alguma receita. Num país como o nosso, realmente não é lá muito fácil diante da discrepância que enfrentamos ano após ano.
Porém, penso: não dá para mergulhar no poço do pessimismo. Lembra da máxima do copo cheio – copo vazio? Depende muito da forma que queremos enxergar. O mundo não é cor de rosa mesmo! Mas pensa bem: se todo dia abrirmos a janela da nossa alma para o que nos arranha por dentro, dói — e para quê buscar mais dor?
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Tudo na vida é escolha. E a sua é não gostar dessa época, tudo bem, mas que tal rever esses pensamentos?
Primeiro, converse sobre isso com alguém da sua confiança. Não quer ir às festas? Não vá. Comunique com afeto e respeite-se. Depois dessa clareza e franqueza, pare e reflita sobre aquilo que faz sentido na sua vida: dos relacionamentos ao que você acredita e quer.
E celebre. Por mais que haja hipocrisia, falsidade e absurdos na realidade na qual vivemos, é de direito escrever a forma de viver os rituais do nosso jeito.
Feliz Natal!