Mônica Cunha

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A linha invisível entre o compromisso e o extraordinário

Como um simples compromisso de trabalho desarmou o tempo e transformou o entardecer em um instante eterno de afeto e memória

, em Uberlândia

A gravação estava agendada para as 16h em uma cidade vizinha, logo após a ponte sobre o rio. Aproveitei o trajeto pela estrada, cercada pela transição entre o cerrado e a mata, para desacelerar da rotina da semana. Naquela época do ano, o verde da vegetação ainda se exibia altivo, antes da chegada do inverno.

Reconheci o caminho à medida que me aproximava do galpão onde, há anos, assisti a um espetáculo cultural. Ao atravessar a avenida, notei que o flamboyant no canteiro emoldurava a porta de vidro com a marca da companhia cultural cujo nome é um verbo: EMCANTAR.

O sol da tarde iluminou a recepção de Ana, que me acolheu antes da chegada de Marquim. O objetivo da viagem era gravar uma entrevista para o PodEmcantar. Antes de iniciarmos a captação, partilhamos uma mesa de café coado, pães de queijo e frutas, reunindo a equipe antes do anoitecer. Como cortesia, recebi uma camiseta personalizada do projeto.

Mônica Cunha no PodEMCANTAR
Crédito: Arquivo pessoal

No estúdio de gravação, o cenário transmitia acolhimento. Durante a entrevista, as perguntas de Marquim guiaram um resgate da minha trajetória, desde a infância até a escolha pelo jornalismo, uma reflexão oportuna diante da proximidade dos meus 60 anos. Dialogamos sobre saudades, projetos e a pressa cotidiana.

O momento ápice ocorreu quando fui convidada a declamar um poema. Escolhi, de forma espontânea, uma obra de Cecília Meireles. Assim que terminei a leitura, o grupo musicou os mesmos versos, consolidando a transição daquele compromisso profissional em um registro de memória e afeto.