Acusado de matar homem com foice em Carmo do Paranaíba pede liberdade
Mais de um mês após Afonso José Domingues ser morto na zona rural, defesa do homem acusado pede pera responder processo em liberdade ; julgamento do habeas corpus ocorre nesta quarta-feira (19)
O assassinato de Afonso José Domingues, de 60 anos, ocorrido em 22 de junho na região rural de Mata dos Salgados, em Carmo do Paranaíba, volta aos tribunais nesta quarta-feira (19). O homem de 55 anos acusado de atropelar a vítima e, em seguida, atacá-la com uma foice está preso preventivamente, e a defesa apresentou um pedido de habeas corpus para que ele possa responder ao processo em liberdade.

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O crime aconteceu em uma estrada vicinal às margens da BR-354, entre Carmo do Paranaíba e Rio Paranaíba. Afonso estava montado no cavalo Tigrão quando, segundo a Polícia Militar, foi atingido pelo carro conduzido pelo suspeito. Após o atropelamento, o motorista teria descido do veículo e golpeado a vítima com uma foice. Afonso morreu no local.
O suspeito foi localizado e preso em flagrante pela PM enquanto seguia em direção a Araxá. O carro utilizado no crime e a foice foram apreendidos.
O que aconteceu na estrada rural
Afonso estava a cavalo e havia parado para conversar com um vizinho sobre a negociação de gado quando os dois perceberam a aproximação de um veículo, conforme relatos repassados à família.
A dinâmica descrita à Polícia Militar aponta que o automóvel atingiu Afonso e o cavalo. Depois do impacto, o motorista saiu do veículo e atacou a vítima com uma foice antes de fugir.
Quando a PM e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegaram ao local, Afonso já estava morto.
Durante as buscas, os militares identificaram o suspeito e o veículo. A prisão ocorreu em flagrante na entrada de Araxá.
No local onde Afonso morreu, uma cruz foi colocada pela família para marcar o ponto da estrada em que o crime aconteceu.
Leia Mais: Homem é morto a golpes de foice em estrada rural de Carmo do Paranaíba
Disputa por dinheiro pode ter motivado crime
Segundo informações apresentadas pela família e pela defesa da vítima, Afonso costumava emprestar dinheiro. O homem apontado como autor também teria recebido valores emprestados, mas não estaria quitando a dívida.
Ainda conforme o relato apresentado aos investigadores, dias antes do homicídio o suspeito teria procurado Afonso novamente para pedir dinheiro. A vítima teria recusado o novo empréstimo.
A família também relatou que Afonso teria passado a receber ameaças depois da negativa. A circunstância é apontada como possível motivação para o crime e integra os elementos considerados na investigação.
A versão sobre a motivação, entretanto, deve ser atribuída às informações prestadas à investigação e às partes, não sendo tratada como conclusão definitiva enquanto o processo estiver em andamento.
Cavalo também morreu após atropelamento
Tigrão, cavalo de oito anos que estava com Afonso, sobreviveu inicialmente ao atropelamento, mas sofreu uma fratura grave na pata traseira direita.
O quadro piorou nas semanas seguintes, com infecção, inchaço, dificuldade de locomoção e comprometimento da circulação. Segundo o atestado veterinário, não havia tratamento eficaz para a lesão e o animal foi submetido à eutanásia em 14 de julho.
Acusado de matar homem com foice responde por homicídio
O homem de 55 anos foi denunciado pelo Ministério Público pelo homicídio de Afonso. Segundo as informações do processo apresentadas pela família, a acusação considera três qualificadoras: motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A acusação também considera o episódio envolvendo Tigrão, que morreu posteriormente em decorrência dos ferimentos provocados pelo atropelamento.
A prisão preventiva foi mantida durante o andamento do processo.
Mais de um mês depois do crime, a defesa do acusado ingressou com um pedido de habeas corpus para tentar fazer com que ele responda ao processo em liberdade.
O pedido está previsto para ser analisado pelo Judiciário nesta quarta-feira (19).
A decisão sobre o habeas corpus não representa, por si só, uma definição sobre a culpa ou inocência do acusado. O processo criminal seguirá seu curso para análise das provas e das circunstâncias do homicídio.
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