Mídia e Bastidores

Mídia e Bastidores por Júnior Caritel: análise crítica da TV, internet e famosos. Um giro pelos bastidores que influenciam o público dentro e fora da tela

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Glória Menezes: a atriz que ajudou a escrever a história das novelas brasileiras

Atriz, que morreu aos 91 anos, atravessou mais de seis décadas na televisão e ajudou a construir a história da dramaturgia brasileira

, em Cristalina/GO

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Glória Menezes foi uma das grandes responsáveis por construir a história das novelas brasileiras. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, a atriz ajudou a transformar a teledramaturgia em um dos principais fenômenos culturais do país, dando vida a personagens que atravessaram gerações e permanecem na memória do público. Nesta terça-feira (18), aos 91 anos, ela morreu no Rio de Janeiro e deixa um legado que se confunde com a própria evolução da televisão brasileira.

Glória Menezes fez sua última aparição em novela em 2015 na trama “Totalmente Demais” – Crédito: Reprodução / Internet

Por trás do nome que se tornou conhecido em todo o país estava Nilcedes Soares de Magalhães, nome formado a partir de referências aos pais, Nilo e Mercedes. No início da carreira, ela adotou Glória por considerar que o nome funcionava em diferentes idiomas e escolheu Menezes por suas raízes portuguesas. A combinação, segundo a própria atriz, também resultava em 13 letras.

Nascida em 19 de outubro de 1934, em Pelotas (RS), Glória mudou-se com a família para São Paulo quando tinha seis anos. Na capital paulista, estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) e participou da formação do grupo de teatro amador Jovens Independentes. Em 1959, recebeu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador dirigido por Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão em Um Lugar ao Sol, da TV Tupi.

Glória Menezes na novela “Irmãos Coragem” que marcou sua carreira como atriz – Crédito: Reprodução / Internet

Uma pioneira da televisão brasileira

A trajetória de Glória ganhou um capítulo histórico em 1963, quando ela protagonizou, ao lado de Tarcísio Meira, 2-5499 Ocupado, da extinta TV Excelsior que era transmitida ao vivo. A produção é considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira. Glória interpretava Emily, enquanto Tarcísio vivia Larry.

A parceria profissional entre os dois começou a ganhar força nos primeiros anos de carreira. Eles também atuaram juntos em A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966). Em 1967, chegaram à TV Globo com Sangue e Areia, dando início a uma longa trajetória na emissora.

A dupla voltaria a contracenar em diversas produções ao longo das décadas, entre elas O Homem que Deve Morrer (1971), Torre de Babel (1998) e A Favorita (2008). Em 1988, os dois ainda estrelaram o seriado Tarcísio e Glória, no qual Glória interpretava a extraterrestre Ava Becker.

Do cinema premiado às grandes novelas

Antes mesmo de consolidar sua trajetória na televisão, Glória Menezes também deixou sua marca no cinema. Em 1962, atuou em O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, filme que entrou para a história ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, sendo até hoje o único longa brasileiro vencedor do principal prêmio do festival.

O ator Leonardo Villar e a atriz Glória Menezes no filme “O Pagador de Promessas” vencedor da Palma de Oura em 1962 – Crédito: Reprodução / Internet

Na televisão, um dos grandes momentos de sua carreira veio em 1970, com Irmãos Coragem, de Janete Clair. Glória interpretou Lara, Diana e Márcia, três personalidades da personagem Maria de Lara, demonstrando a versatilidade que se tornaria uma de suas principais marcas.

Vieram depois outros trabalhos de destaque, como Pai Herói (1979), Guerra dos Sexos (1983), Brega & Chique (1987), Rainha da Sucata (1990), Torre de Babel (1998), Senhora do Destino (2004), Páginas da Vida (2006), A Favorita (2008), Joia Rara (2013) e Totalmente Demais (2015).

Em Rainha da Sucata, Glória viveu Laurinha Figueroa, uma das vilãs mais lembradas de sua carreira. A personagem protagonizou uma das mortes mais emblemáticas das novelas brasileiras ao se jogar de um prédio, em uma sequência que marcou a trama e deixou a protagonista envolvida emocionalmente com a tragédia.

Já em A Favorita, a atriz interpretou Dona Irene, personagem que passou por momentos de sofrimento e enfrentou a vilã Flora, vivida por Patrícia Pillar.

Uma vida dividida com Tarcísio Meira

A história profissional de Glória Menezes também se confunde com a de Tarcísio Meira. Os dois se casaram em 1962 e permaneceram juntos por 59 anos, até a morte do ator, em agosto de 2021. A união se tornou um dos relacionamentos mais duradouros e conhecidos da televisão brasileira.

Glória teve dois filhos, João Paulo e Maria Amélia, do primeiro casamento. Com Tarcísio Meira, teve Tarcísio Filho, também ator, totalizando três filhos.

A morte de Glória acontece exatamente seis dias depois do quinto aniversário da morte de Tarcísio Meira, ocorrida em 12 de agosto de 2021. Com a partida da atriz, encerra-se também uma das duplas mais emblemáticas da dramaturgia brasileira.

Glória e Tarsício formavam o casal mais longevo da TV brasileira – Crédito: Reprodução / Internet

O encontro com Chico Xavier

Entre tantos momentos marcantes, Glória Menezes também participou de um especial televisivo dedicado a Chico Xavier, exibido pela TV Globo em 1980. No programa Chico Xavier, um homem chamado Amor, ela esteve entre os artistas que entrevistaram o médium. Registros do programa mostram a emoção da atriz durante o encontro.

Glória Menezes entrevistou o médium Chico Xavier em um especial na TV nos anos 1980 – Crédito: Reprodução / Internet

Última novela e um legado que permanece

O último trabalho de Glória Menezes em novelas foi Stelinha, em Totalmente Demais, exibida em 2015. Depois de décadas de presença constante na televisão, a personagem marcou o encerramento de uma trajetória que atravessou diferentes gerações e fases da dramaturgia brasileira.

Glória Menezes não foi apenas uma atriz que participou de grandes novelas. Ela esteve presente em momentos fundamentais da construção da televisão brasileira, passou pelo cinema premiado internacionalmente, manteve uma carreira sólida no teatro e criou personagens que continuam vivos na memória do público.

Ao lado de Tarcísio Meira, ajudou ainda a construir uma das parcerias mais simbólicas da televisão. Agora, aos 91 anos, Glória parte deixando uma obra que atravessa mais de seis décadas de história das artes brasileiras e um nome que se tornou sinônimo de talento, versatilidade e pioneirismo.