O futuro da TV: CEOs da mídia revelam mudanças cruciais
Inteligência artificial, DTV+ e nova liderança: o que os grupos de mídia planejam para se conectar com o público
Nesta terça-feira (19), a SET Expo 2025, em São Paulo, apresentou um dos painéis mais aguardados do evento: “Visão dos CEOs: O Futuro da Mídia”, que reuniu Claudio Luiz (BAND), Daniela Abravanel Beyruti (SBT), Paulo Marinho (Globo) e Marcus Vinícius Vieira (Record).
No palco do Teatro Celso Furtado, esses líderes que ditam os rumos da comunicação no Brasil compartilharam suas perspectivas sobre um setor em plena ebulição. O debate abordou a pressão da inteligência artificial, o consumo fragmentado em múltiplas telas e a urgente necessidade de reinvenção. A mensagem foi clara: não há mais espaço para a acomodação.
A experiência da audiência como prioridade
Outro ponto que ficou evidente durante o painel é que a TV brasileira nos próximos 10 anos não será apenas sobre conteúdo, mas sobre a experiência da audiência. A forma como o público consome informação e entretenimento muda rapidamente, impulsionada por tecnologia, plataformas digitais e inteligência artificial. A grande questão para afiliadas e grupos de mídia é: como criar experiências que sejam relevantes, personalizadas e capazes de engajar em múltiplas telas?
O futuro da mídia exige que os líderes estejam atentos não apenas ao que produzem, mas como a audiência vive essa experiência, transformando cada ponto de contato em uma oportunidade de conexão e valor.
O futuro da TV e a DTV+
Quando pensamos na TV do futuro, não se trata apenas de novas telas ou tecnologias, mas de um ecossistema totalmente integrado à vida do espectador. Os conteúdos serão cada vez mais personalizados, entregues de forma inteligente e interativa, combinando streaming, inteligência artificial, realidade aumentada e experiências imersivas. A audiência não será mais passiva; ela será protagonista, escolhendo como, quando e onde consumir cada conteúdo.
Leia Mais
Para as afiliadas e líderes de mídia, isso significa repensar formatos, modelos de monetização e estratégias de engajamento, colocando o público no centro de cada decisão. A TV do futuro será tão dinâmica quanto a sociedade que a consome.
A chegada da DTV+ abre um leque de oportunidades inéditas para o setor. Com tecnologia digital avançada, é possível oferecer conteúdos interativos, múltiplos canais temáticos, serviços sob demanda e experiências personalizadas, aproximando ainda mais a emissora da audiência. Para as afiliadas, a DTV+ representa uma chance de inovar, testar novos modelos de monetização e criar vínculos mais fortes com o público, transformando cada ponto de contato em uma oportunidade de engajamento e receita. Quem souber explorar essas possibilidades estará à frente na corrida pela relevância.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A realidade das afiliadas e o desafio da liderança
Se nas grandes redes há escala e capital para experimentar, nas afiliadas o jogo é bem diferente. Orçamentos mais curtos, pressões locais e a necessidade de fazer muito com pouco tornam a transformação digital um processo doloroso, mas inevitável.
E é justamente aqui que reside a reflexão que levo deste painel: quem deve liderar essa virada?
Essa não é apenas uma inquietação pessoal, mas uma síntese do que ouvimos na SET Expo 2025. Os próprios CEOs foram claros: o futuro exige uma nova liderança, capaz de unir tecnologia, visão de negócios e a capacidade humana de engajar equipes. O desafio é aplicar essa leitura diretamente ao contexto das afiliadas, onde a necessidade é ainda mais urgente e o espaço para erro é menor.
O CEO do futuro não cabe no molde antigo
O perfil clássico do gestor de afiliada, como conhecemos hoje: bom administrador, conhecedor da praça e hábil em relações institucionais, não será suficiente para o amanhã. O CEO do futuro precisará ser um líder híbrido:
- Visionário em tecnologia: que compreenda dados, plataformas digitais e automação.
- Estratégico em negócios: que encontre novas fontes de receita que extrapolem a publicidade tradicional.
- Humano na liderança: que forme times capazes de inovar em meio à escassez.
- Conector de ecossistemas: que articule alianças locais e globais que fortaleçam a relevância regional.
Esse CEO não será encontrado pronto. Ele precisa ser formado, lapidado e desafiado a sair da zona de conforto.
O caminho possível para as afiliadas
Minha visão é clara: as afiliadas só terão futuro se atacarem três frentes agora:
- Digitalizar processos e produtos: integrar redações, operações e distribuição em plataformas inteligentes.
- Diversificar receitas: de eventos a soluções digitais, de parcerias corporativas a produtos próprios de mídia.
- Formar líderes de novo perfil: profissionais que unam tecnologia, gestão e coragem para tomar decisões impopulares.
Enquanto discutimos o futuro em congressos e eventos, o relógio não para. A transformação não virá do discurso bonito nem da espera por “melhores condições”. Ela virá da ação ousada de líderes que entendem que o jogo já mudou.
E aqui deixo uma pergunta incômoda, mas necessária: as afiliadas estão formando CEOs para o futuro ou apenas administradores do presente? Porque, gostemos ou não, o mercado já escolheu: só sobreviverá quem souber reinventar-se agora.
“Toda inovação começa na mente: mudar o mindset é o primeiro passo para transformar o futuro.” (J. A. Santos)