Danilo Caixeta

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Republicanos fecha porta para Cleitinho: “os fatos falam por si”

Caciques da legenda ficaram incomodados com indefinição de Cleitinho e sinalizam composição com PL e Progressistas

, em Uberlândia

A indefinição do senador Cleitinho Azevedo sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026 levou a um cenário improvável: a própria legenda comunicou que o mineiro não vai disputar as eleições para o Executivo Estadual este ano.

Em uma nota dura assinada pelo presidente estadual, deputado Euclydes Pettersen, o partido cravou: “O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.

O incômodo das lideranças da legenda com a indefinição de Cleitinho já se arrastava há semanas. A gota d’água foi a ausência do senador na convenção estadual do partido, justificada pela morte do irmão, Matheus Azevedo, no dia 18 de julho. A manifestação também altera o equilíbrio das forças políticas no campo da direita mineira, que, até poucos dias atrás, ainda trabalhava com a possibilidade de uma candidatura liderada pelo senador.

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O desconforto das principais lideranças do Republicanos vinha crescendo nas últimas semanas. Apesar de liderar pesquisas de intenção de voto para o Governo de Minas, Cleitinho evitou confirmar definitivamente sua candidatura, mantendo um discurso de indefinição que passou a comprometer a construção das alianças estaduais.

Segundo o partido, a demora obrigou as legendas aliadas a redefinirem seus próprios projetos eleitorais.

Nota do partido transfere a Cleitinho a responsabilidade pelo fim das articulações e reorganiza o tabuleiro da direita para a disputa pelo Palácio Tiradentes. Crédito: Divulgação.

Marcelo Aro ganha força

O movimento do Republicanos também guarda um pano de fundo envolvendo o ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro, do Progressistas. Ele deve ser o candidato do grupo ao governo do estado.

O acerto foi selado em uma reunião entre o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), o coordenador da campanha dele, Rogério Marinho, o presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que participou por telefone.

O entendimento é que o PP deve lançar Aro ao governo, com o Republicanos indicando o vice, o nome preferido nesse caso é o do ex-prefeito de Patos de Minas, Luis Eduardo Falcão. Na composição para o Senado, o PL ficaria com a indicação de Domingos Sávio, enquanto a segunda vaga poderá ser ocupada por um nome do Republicanos ou, eventualmente, do PSDB, hipótese que recoloca o deputado federal Aécio Neves nas negociações.

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Reação imediata

Depois da divulgação da nota, a assessoria do senador Cleitinho Azevedo informou que ele será candidato ao governo de Minas este ano. No entanto, a decisão não depende somente do parlamentar – sem o nome aprovado em convenção, o político não pode participar da disputa. A legislação eleitoral brasileira também não permite a inscrição de candidaturas independentes.

O desgaste da indefinição

A nota divulgada pelo Republicanos pode ser um gesto político cuidadosamente calculado. Ao afirmar que o partido fez sua parte e que a candidatura “nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”, a legenda procura retirar de si qualquer responsabilidade pelo rompimento da estratégia construída para Minas Gerais.

Na prática, o Republicanos comunica ao mercado político que a janela para uma candidatura de Cleitinho pela legenda foi encerrada. A sucessão mineira entra, assim, em uma nova fase. E, finalmente desde que o nome de Cleitinho passou a liderar as pesquisas, a direita começa a organizar um plano eleitoral sem o senador no centro do projeto.