Você sabe por que hoje é o Dia do Vira-Lata? A história vai muito além dos memes

Muito além dos memes, a data revela a origem do nome "vira-lata", explica como o caramelo virou símbolo do Brasil e mostra a importância da adoção responsável

, em Uberlândia

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Muito antes de virar meme, estampar camisetas e conquistar as redes sociais, o vira-lata recebeu esse nome por um motivo triste: a cena comum de cães abandonados revirando latas de lixo em busca de comida. Celebrado nesta sexta-feira (31), o Dia do Vira-Lata resgata essa história, incentiva a adoção responsável e mostra como o famoso caramelo se transformou em um dos maiores símbolos da cultura brasileira.

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Vira-lata caramelo
O animal de pelagem dourada ganhou status de símbolo nacional – Crédito: Arquivo pessoal

A data também chama atenção para um problema que preocupa protetores de animais. Estimativas apontam que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivem em situação de abandono ou vulnerabilidade no Brasil, e a maior parte deles é formada por animais sem raça definida (SRD).

Por que o cachorro é chamado de “vira-lata”?

A origem da expressão está ligada a uma realidade que marcou as cidades brasileiras durante décadas. Era comum encontrar cães abandonados revirando latas de lixo para encontrar alimento. A cena se tornou tão frequente que acabou dando origem ao termo “vira-lata”, que passou a identificar os animais sem raça definida.

Com o passar do tempo, a expressão deixou de estar associada apenas ao abandono e ganhou um significado muito mais afetivo. Hoje, para milhões de brasileiros, “vira-lata” representa carinho, resistência e companheirismo.

Dia do vira-lata
Cachorros Vira Latas são muito carinhosos e fiéis aos seus pais humanos – Créditos: Arquivo pessoal

Por que o Dia do Vira-Lata é comemorado em 31 de julho?

A data faz referência ao filme brasileiro “Meu Cachorro é um Vira-Lata”, lançado em 1979. Com o tempo, porém, a homenagem deixou de estar ligada apenas ao cinema e passou a simbolizar um movimento em defesa da adoção responsável e de combate ao preconceito contra cães sem pedigree.

Atualmente, organizações não governamentais (ONGs), protetores independentes e clínicas veterinárias aproveitam a data para promover campanhas de adoção e conscientização em diversas cidades do país.

O que é o “complexo de vira-lata”?

Muito antes de o caramelo dominar a internet, o termo “vira-lata” já fazia parte da cultura brasileira.

Na década de 1950, o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues criou a expressão “complexo de vira-lata” para definir o sentimento de inferioridade que, segundo ele, muitos brasileiros passaram a demonstrar após a derrota da Seleção Brasileira para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã.

Na comparação feita pelo autor, o brasileiro se enxergava como um cachorro “sem pedigree”, acreditando ser inferior aos estrangeiros.

Décadas depois, esse significado praticamente se inverteu. Hoje, o vira-lata costuma ser associado à resistência, à diversidade por ter vários “tipos”, além da alegria, características que muitos enxergam como parte da identidade brasileira.

Como o vira-lata caramelo virou um símbolo do Brasil?

Poucos animais alcançaram tanta popularidade quanto o vira-lata caramelo.

Ele virou meme, figurinha de aplicativos, estampa de camisetas, personagem de campanhas publicitárias e presença constante nas redes sociais. Para muita gente, o caramelo representa o brasileiro: misturado, resiliente, simpático e capaz de se adaptar a qualquer situação.

Sucesso nas redes sociais, o vira-lata Caramelo fez parte da propaganda do Banco Central sobre a nota de R$ 200, lançada em 2020. A escolha não foi aleatória. Inclusive houve uma campanha pedindo que o animal fosse estampado na cédula. Mas o escolhido pelo BC foi o lobo-guará.

O reconhecimento ultrapassou a internet e chegou ao poder público. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 1.897/2023 propõe reconhecer a expressão “vira-lata caramelo” como manifestação cultural imaterial do Brasil.

Já em 2026, o Estado de São Paulo sancionou uma lei que reconhece oficialmente o Vira-Lata Caramelo como expressão cultural paulista.

Você sabia?

Apesar da fama, caramelo não é uma raça. O nome é usado para identificar cães sem raça definida que possuem pelagem em tons de marrom-claro, dourado ou bege.

Os números dos vira-latas no Brasil impressionam

Os dados mostram por que os cães sem raça definida ocupam um espaço tão importante no país.

  • Cerca de 30 milhões de cães e gatos vivem em situação de abandono ou vulnerabilidade no Brasil, segundo estimativas de entidades de proteção animal e do Instituto Pet Brasil.
  • A maior parte desses animais é formada por vira-latas.
  • Entre 60% e 70% das adoções realizadas em feiras e abrigos são de cães e gatos sem raça definida.
  • Mesmo entre os pets que vivem em lares brasileiros, os SRDs já representam a maior parcela.

Vira-lata é mesmo mais resistente?

A resposta é: depende.

Especialistas explicam que a maior diversidade genética dos cães sem raça definida pode reduzir a incidência de algumas doenças hereditárias comuns em determinadas raças. Esse fenômeno é conhecido como vigor híbrido.

Além disso, muitos vira-latas costumam apresentar:

  • Expectativa de vida entre 12 e 15 anos, podendo ultrapassar os 18 anos quando recebem os cuidados adequados;
  • Grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes e rotinas;
  • Temperamento geralmente equilibrado e facilidade para conviver com famílias.

Isso, porém, não significa que tenham “saúde de ferro”.

Assim como qualquer outro cão, eles também podem desenvolver doenças de pele, problemas articulares, otites, infestações por parasitas e outras enfermidades. Vacinação, alimentação adequada, castração e acompanhamento veterinário continuam sendo essenciais para o bem estar do animal.

Por que adotar um vira-lata faz tanta diferença?

Adotar um vira-lata transforma duas vidas ao mesmo tempo.

Para o animal, significa sair das ruas ou de um abrigo e finalmente encontrar um lar. Para quem adota, representa ganhar um companheiro capaz de oferecer afeto, companhia e melhorar a qualidade de vida.

Além de salvar, a adoção ajuda a diminuir a quantidade de cães abandonados, combate o preconceito contra os SRDs e reduz a procura por criadouros clandestinos.

Diversos estudos também apontam benefícios para a saúde física e emocional dos tutores.

Entre eles estão:

  • Redução do estresse e da ansiedade;
  • Incentivo à prática de atividades físicas;
  • Melhora da qualidade do sono;
  • Redução da sensação de solidão, especialmente entre idosos;
  • Desenvolvimento da responsabilidade e da empatia em crianças.

No fim das contas, o maior símbolo do Brasil talvez nunca tenha tido pedigree. Ainda assim, conquistou milhões de famílias justamente pelo que tem de mais valioso: lealdade, carinho e uma enorme capacidade de recomeçar.

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