Pombos-correios cruzam o céu e mantêm tradição viva entre criadores de Uberlândia
Cerca de 25 criadores cuidam e treinam seus animais para competições esportivas e pelo afeto à espécie
Na era das telas e da informação, os pombos-correios podem até parecer algo distante da realidade. O que poucas pessoas sabem é que esta espécie, que acompanhou a história da humanidade por muito tempo, ainda move pessoas apaixonadas por suas capacidades.
Sendo uma variação doméstica do pombo comum, a espécie se destaca pela capacidade de localização e, ainda nos dias de hoje, mobiliza uma grande quantidade de criadores e organizações civis.
Em Uberlândia, cerca de 25 criadores cuidam e treinam seus animais para competições esportivas e pelo afeto à espécie. Em Minas Gerais há 65 associações filiadas à FCB (Federação Columbófila Brasileira) distribuídas no estado.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Os pombos-correio têm uma habilidade impressionante de voltar para casa, mesmo cruzando regiões desconhecidas.
Em 2013, o geólogo John Hagstrum, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, investigou esse fenômeno e descobriu que esses animais conseguem captar sons de baixíssima frequência. Com isso, criam um “mapa sonoro” do ambiente, que os orienta na navegação até o seu destino.
A capacidade fez com que os pombos-correios fossem utilizados para estabelecer rotas comerciais em todo mundo, contribuindo com a expansão do comércio internacional.
Pombos-correios: longa parceria com a humanidade
Os pombo-correios, também conhecidos como columbiformes, se diferem dos pombos comuns, que costumamos ver nas ruas, em suas características físicas: é mais robusto, tem o peito largo e plumagem brilhante. Eles foram uma importante forma de comunicação durante milhares de anos em todo o mundo. Estudos apontam que os primeiros registros do uso dos pombos-correios remontam ao Antigo Egito, há mais de 3 mil anos.
Ao longo da história, foram utilizados em muitas outras partes do mundo, como a Grécia Antiga, Roma, China, Japão, Índia e Europa. Durante a Idade Média, eram frequentemente usados por reis e nobres para enviar mensagens importantes.
O ápice do seu uso, no entanto, foi durante o século XIX, durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Neste período, mais de 100.000 pombos-correios foram utilizados pelas forças militares envolvidas nos conflitos.
Durante a Primeira Guerra, inclusive, um pombo-correio foi considerado um herói de guerra. Cher Ami, “querido amigo” em francês, foi um dos 600 pombos-correios doados pelo Serviço de Pombos do Copo de Sinalização Britânico para os Estados Unidos.
Char Emi teve 12 missões bem-sucedidas em campo de batalha, uma alta taxa de sucesso. A mais importante delas aconteceu em outubro de 1918, quando, mesmo após levar um tiro, conseguiu entregar uma mensagem ao “Batalhão Perdido”, do exército americano, e salvar 200 soldados.
Com o advento de novas tecnologias, como o telégrafo e o telefone, o uso dos pombos-correios como meio de comunicação foi comprometida ao longo do século XX. Atualmente, a utilização está praticamente relacionada a atividades esportivas, especialmente as corridas de pombos, onde essas aves ainda demonstram notáveis habilidades de orientação e resistência.
Leia Mais
Pombos-correios: além de paixão, grandes atletas
José Wilson, vistor de imóveis e “columbófilo”, é um dos 25 criadores de Uberlândia que cria pombos-correios há mais de 20 anos. Ele contou à TV Paranaíba que sua paixão por essas aves começou pelo fato deles não ficarem engaiolados para a criação. “Eu gostava de liberdade e, se eles estão comigo, é porque gostam”.
Os animais, além da companhia, também são preparados para competir. Nas competições, os pombos são soltos há uma grande distância de seus criadouros, e o pombo que chegar mais rápido, vence o torneio.
As competições são promovidas por órgãos vinculados à Federação Columbófila Brasileira (FBC), e a mais famosa delas é a Copa Minas Gerais, com percursos que podem sair até da Bahia. Os pombos são levados até um local e todos os competidores são soldados de uma vez, em direção à sua própria casa. Wilson coleciona troféus, e explica como são indicados os campeões:
“Temos um aparelho, chamado entrada eletrônica, e assim que o pombo competidor chega ao seu destino, ele é acionado. No aparelho, é registrado a hora, o minuto e o segundo. Por meio de um programa, oferecido pela Federação, é possível verificar a velocidade com que o pombo chegou ao seu destino, de acordo com a localização”, conotou.
Ele também explica que o treinamento é feito aos poucos. Os pombos são soltos há uma curta distância de sua casa, que aumenta com o decorrer do tempo.
Com o tempo, eles se acostumam a voar por longas distâncias, e são selecionados os “melhores atletas”. Nestas competições, os pombo-correios percorrem distâncias de até 1000 Km, sem parar de voar.