Especialistas alertam para riscos dos fogos de artifício para animais
Com a aproximação das festas de fim de ano, especialistas dão dicas para reduzir acidentes com animais e detalham rigor na fiscalização sobre fogos com estampido no município
Com a chegada das celebrações de fim de ano, o tradicional uso de fogos de artifício com estampido volta a preocupar famílias, tutores de animais e autoridades em Uberlândia. O som explosivo, apesar de simbólico para muita gente, pode afetar crianças com espectro autista, idosos, pessoas neurodivergentes, causar pânico severo em cães, gatos e até mesmo em outros animais, como cavalos, bois e pássaros.

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Riscos dos fogos de artifício
Segundo a médica veterinária especialista em comportamento animal e psiquiatria, Líbia Cristina Franco, o período é um dos mais perigosos do ano para os pets. “Já atendemos animais que se machucaram, infartaram, fugiram de casa ou foram atropelados porque entraram em pânico. A audição deles é muito mais potente que a nossa. Se já é alto para nós, para eles é extremamente agressivo”, explica.
O impacto do barulho não se limita aos pets. Em Uberlândia, famílias registram crises sensoriais em crianças com autismo, além de transtornos de ansiedade em idosos e neurodivergentes. “Por isso, falar de fogos é falar também de saúde pública”, reforça a especialista.
Pânico e reações extremas
A exposição repentina a explosões pode desencadear crises de fobia, que vão além do medo comum. “A vítima entra numa crise de pânico e perde a capacidade de reagir racionalmente. Pode pular sacadas, atravessar vidros ou tentar fugir desesperadamente”, afirma Líbia Cristina. Ela alerta que animais com histórico cardíaco ou neurológico correm ainda mais riscos.
Entre os sinais de sobrecarga emocional estão:
- Tremores;
- Salivação excessiva;
- Taquicardia;
- Agitação intensa;
- Busca desesperada por esconderijos;
- e, em casos extremos, convulsões.
A sensibilidade auditiva explica a reação, enquanto humanos ouvem até cerca de 23 mil Hz, cães alcançam 45 mil Hz, quase o dobro.
O que fazer antes, durante e depois
Líbia Cristina orienta dividir os cuidados em etapas:
Antes
- Preparar um ambiente isolado, com janelas e cortinas fechadas;
- Manter o espaço mais escuro e seguro;
- Ligar ventilador, ar-condicionado, televisão ou música para mascarar ruídos;
- Não deixar o animal sozinho.
Durante
- Manter postura calma para não transmitir insegurança ao pet;
- Acolher o animal — não existe comprovação científica de que faixas compressivas funcionem;
- Evitar broncas ou punições.
Depois
- Caso o animal apresente reações intensas, procurar um veterinário comportamentalista;
- Em casos de fobia, pode ser necessário treinamento especializado e até medicação prescrita;
- Nunca medicar o pet por conta própria.
“Quando o animal tem medo muito alto, os neurotransmissores ficam desordenados, como adrenalina e cortisol no extremo. É preciso acompanhamento e, às vezes, tratamento ao longo do ano”, explica a veterinária.
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Além dos cuidados específicos durante o período de fogos, especialistas reforçam que a proteção ao animal começa muito antes das celebrações de fim de ano. Há cuidados básicos e essenciais com um animal de estimação, que não podem ser ignorados em nenhum momento.
Denúncias e multas
Em Uberlândia, soltar fogos de artifício com estampido é proibido por lei municipal (Lei nº 11.482/2021). De acordo com o subsecretário de Serviços Urbanos, Anderson Alves de Paula, a legislação municipal permite que somente fogos silenciosos podem ser comercializados na cidade.
“No município de Uberlândia só é permitida a venda de fogos sem estampidos. Fazemos essa fiscalização rotineiramente e também mediante denúncia. Bares e comércios que vendem sem conhecimento costumam ser os mais autuados”, afirma.
As denúncias podem ser realizadas pelo número 3239-2800 pelo 181 ou pelos canais do Ministério Público (XXXXX). A multa para o infrator e pode levar a processos civis, com penalidades que podem variar, incluindo multas altas e indenizações.
Fiscalização intensificada
Segundo Anderson de Paula, a Prefeitura iniciou uma ação especial de fim de ano, visitando casas de festas até o Réveillon. “Estamos orientando os estabelecimentos sobre o rigor da lei. Contamos com a população pelos canais oficiais. Quando identificamos fogos irregulares, nós multamos e apreendemos”, explica Anderson de Paula.
A maior dificuldade é a entrada clandestina de produtos vindos de cidades vizinhas. “Somos uma cidade satélite. Muitas vezes, o fogos vêm de fora. Por isso investigamos sempre a origem, os comércios.”
O subsecretário ainda ressalta que a Prefeitura busca conciliar tradição e segurança, “É uma linha tênue. Respeitamos a tradição, mas a saúde pública precisa vir em primeiro lugar.”
Fogos silenciosos e alternativas
Tanto a veterinária quanto o subsecretário reforçam a existência de fogos silenciosos, que preservam a beleza visual sem causar sofrimento aos animais e às pessoas sensíveis ao ruído, incluindo pacientes hospitalizados e indivíduos com condição autista. Para reduzir acidentes e garantir um período festivo seguro, os especialistas recomendam:
- Comprar apenas fogos silenciosos e adquiridos de estabelecimentos regulamentados;
- Em caso de venda irregular, acionar os canais de denúncia da Prefeitura;
- Preparar a casa e acolher o pet antes e durante a queima de fogos;
- Manter a calma: animais percebem o estado emocional dos tutores;
- Procurar ajuda profissional se o animal apresentar reações graves.
“Queremos que todos tenham um final de ano muito tranquilo e que respeitem quem sofre com essas situações — pets, crianças, idosos, pessoas com sensibilidade sensorial. Se alguém encontrar irregularidades, é só nos acionar para que possamos atuar”, conclui Anderson de Paula.