Cobras no Triângulo: veja as espécies mais perigosas e como agir

Especialista explica diferenças entre serpentes da região e o que fazer em caso de acidentes; HC-UFU é referência em atendimento

, em Uberlândia

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O aumento no registro de serpentes em áreas urbanas do Triângulo Mineiro alerta para os riscos de acidentes com espécies peçonhentas. Os dados oficiais confirmam que o Corpo de Bombeiros já capturou sete sucuris na região apenas em 2026. Jararacas, cascavéis e corais são as espécies que mais preocupam as autoridades de saúde, exigindo atendimento imediato para evitar sequelas ou óbitos.

Cobras no Triângulo
Cascavéis e jararacas aumentam alerta no Triângulo Mineiro – Crédito: Cláudio Machado/IVB-Niterói/Reprodução

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Segundo André Quagliatto, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), saber identificar a diferença entre as espécies de serpentes é fundamental para garantir a eficácia do tratamento em casos de picadas. A agilidade na busca por auxílio especializado e a identificação do animal determinam o sucesso do tratamento.

Cobras no Triângulo com maior índice de acidentes

De acordo com o especialista, não é possível apontar uma única espécie como a mais perigosa em todos os casos. O fator decisivo é o tempo entre a picada e o atendimento médico.

No Triângulo Mineiro, a maioria dos acidentes com cobras envolve três tipos principais:

– Jararaca

– Cascavel

– Coral 

Jararacas e cascavéis são responsáveis pela maior parte dos atendimentos na rede pública da região.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o risco de morte em incidentes com cascavéis aumenta progressivamente conforme a demora no atendimento.

As jararacas, no entanto, são responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos no estado, com cerca de 2.340 casos anuais.

Já os acidentes com corais são raros devido à biologia do animal, que possui boca e presas reduzidas, dificultando a picada em superfícies planas do corpo.

“Ela tem a boca muito pequena. Normalmente, a picada só acontece quando há pressão direta sobre o animal, e geralmente em áreas como dedos”, explica Quagliatto.

Sucuris aparecem em áreas urbanas

Além das espécies já associadas a acidentes, um dado recente chama atenção, o aumento de registros de sucuris em áreas urbanas. Somente neste ano, ao menos sete exemplares foram capturados pelo Corpo de Bombeiros na região, segundo levantamento do portal.

Cobras no Triângulo
Cresce número de sucuris no Triângulo Mineiro em 2026 – Crédito: André Quagliatto/Divulgação

Em Uberlândia, houve pelo menos três ocorrências, incluindo uma sucuri de cerca de quatro metros e 70 quilos.

Na última semana, outro caso mobilizou equipes em Uberaba, onde uma sucuri de aproximadamente três metros foi encontrada em uma calçada.

Apesar do porte e do potencial de risco, ataques a humanos são raros e, em geral, ocorrem quando o animal se sente ameaçado.

A sucuri não possui veneno e mata por constrição, usando a força do corpo para imobilizar e sufocar a presa. Situações mais perigosas tendem a ocorrer em ambientes aquáticos, onde a espécie tem maior mobilidade.

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HC-UFU é referência para atendimento

No Triângulo Mineiro, o Hospital das Clínicas da UFU (HC-UFU) é o principal ponto de referência para casos de picada de cobra.

O tratamento vai além do soro antiofídico, que atua na neutralização do veneno circulante. Outras medicações são necessárias para controlar efeitos como:

  • Hemorragias
  • Reações alérgicas
  • Danos neurológicos
  • Comprometimento muscular

O soro antiofídico e antiescorpiônico é armazenado na Farmácia do Pronto Socorro do HC-UFU, atendendo a 18 municípios da região do Triângulo Mineiro.

“A orientação é levar o paciente o mais rápido possível ao pronto atendimento. Esse tempo faz diferença no resultado do tratamento”, reforça André.

Expansão urbana explica aumento de casos

Cobras são vistas com mais frequência nas cidades do Triângulo, inclusive dentro de carros. O aumento dos casos está ligado à ação humana.

Cobras no Triângulo
Sucuri gigante é encontrada em àrea urbana de Uberlândia – Crédito: CBMG/Divulgação

Segundo o médico veterinário Márcio Bandarra, o avanço urbano e a perda de áreas naturais têm empurrado esses animais para novos espaços.

“Com menos áreas disponíveis, esses animais acabam se aproximando de zonas urbanas em busca de abrigo e alimento”, explica.

O que fazer ao encontrar uma cobra

Ao avistar uma serpente, especialistas recomendam distância e cautela. Confira as orientações:

  • Evite o abate: Matar animais silvestres é crime previsto na Lei 9.605.
  • Não tente capturar: A maioria dos acidentes ocorre durante tentativas de manejo ou agressão ao animal.
  • Acione autoridades: Se a serpente estiver em residências ou áreas de risco, ligue para o Corpo de Bombeiros (193) ou para a Polícia Militar Ambiental.