Apicultura no Triângulo Mineiro se divide em inovação e desafios

Setor enfrenta desafios com o uso de defensivos e baixa produtividade por colmeia; Triângulo Mineiro conta hoje com 140 apiários cadastrados

, em Uberlândia

Após um 2025 difícil, marcado por queimadas e barreiras comerciais, os apicultores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba projetam um cenário de retomada para este ano. A expectativa é que o clima favorável e as boas floradas, especialmente de eucalipto, tragam uma produção acima da média para a região, compensando as perdas recentes.

apicultura no Triângulo Mineiro
A apicultura no Triângulo Mineiro conta hoje com 140 apiários cadastrados e 121 produtores registrados nas coordenadorias de Uberlândia e Uberaba – Crédito: Kleber Costa/TV Paranaíba/Reprodução

O produtor Ricardo Hemsing, conhecido como Gaúcho, mantém o ofício que atravessa gerações em sua família, enquanto Cláudio Franco Lemos abandonou o setor bancário há 40 anos para empreender no mel. Para eles, o sucesso da atividade hoje depende de técnica e melhoramento genético, prática que, segundo Ricardo, ainda carece de apoio oficial no Brasil.

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Apicultura no Triângulo Mineiro se recupera depois de perdas

O setor ainda tenta se recuperar de uma crise vivida no ano passado, marcada por perdar em razão de incêndios florestais e do uso indiscriminado de defensivos agrícolas, que continua sendo a principal causa de mortandade de abelhas. “O maior problema é a mortandade por agrotóxico. Precisa que o produtor se conscientize e os órgãos façam a fiscalização”, alerta o produtor Cláudio.

produtor Ricardo
O produtor Ricardo exibe favo pronto para colheita – Crédito: Kleber Costa/TV Paranaíba/Reprodução

Ricardo, que é presidente da Associação de Apicultores do Triângulo Mineiro e chegou a perder grande parte de sua produção, hoje trabalha na reconstrução de seu apiário e já soma cerca de 700 colmeias novamente. Para ele, o agronegócio e a apicultura precisam caminhar juntos, já que a polinização das abelhas impacta diretamente a produtividade das lavouras.

Números da produção em Minas

Dados do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) mostram a força do setor:

  • Triângulo Mineiro: 140 apiários cadastrados e 121 apicultores registrados (entre Uberlândia e Uberaba).
  • Minas Gerais: O estado já soma quase 3.300 apicultores e mais de 4 mil apiários. Só no início de 2026, foram 150 novos registros.

Mas mesmo com o crescimento, o Brasil ainda produz pouco por unidade. A média nacional gira entre 15 kg e 20 kg de mel por colmeia ao ano, enquanto em outros países a produção ultrapassa os 60 kg. De acordo com Ricardo, o mel brasileiro só consegue competir no mercado internacional por ser considerado um produto “diferenciado” e com baixo nível de contaminação.

Do apiário ao consumidor

O processo de beneficiamento do mel exige controle rigoroso. Após coletado e centrifugado, o mel chega à unidade de processamento em baldes de 25 kg. O produto passa por máquinas que o mantêm a uma temperatura de até 48°C por cerca de 8 horas para descristalização, seguido de decantação e rotulagem para o comércio final.

envase de mel
Processo de envase final do mel bruto – Crédito: Kleber Costa/TV Paranaíba/Reprodução

Apesar dos desafios de mercado, como o “tarifaço” norte-americano que travou as exportações no ano passado, o setor aposta no aumento do consumo interno e na profissionalização do manejo para elevar os índices de produtividade em 2026.