Pegadinha de Silvio Santos é encontrada nos arquivos de Epstein
Documentos liberados pela Justiça dos EUA incluem vídeo inusitado da TV brasileira e reacendem debates sobre o alcance e o conteúdo dos arquivos de Epstein
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A divulgação da maior leva já tornada pública dos arquivos de Jeffrey Epstein trouxe revelações graves, nomes poderosos e também episódios inesperados. Entre mais de 3 milhões de páginas, cerca de 2 mil vídeos e aproximadamente 180 mil imagens reunidos ao longo de anos de investigação, surgiu um trecho de uma pegadinha exibida em um programa de Silvio Santos, um dos maiores ícones da televisão brasileira.
Os arquivos de Epstein foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na última sexta-feira, 30, e reúnem materiais produzidos durante as apurações sobre o financista Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual de menores e encontrado morto em 2019 em uma prisão federal. O acervo inclui documentos próprios da investigação e também arquivos de terceiros, incorporados durante a coleta de evidências, sem que isso represente, necessariamente, ligação direta com os crimes apurados.
No vídeo que chama atenção do público brasileiro, atores utilizam um jato semelhante a um extintor de incêndio contra pessoas que passam próximas a uma obra. As imagens trazem a sonoplastia clássica de risadas do auditório e é possível ouvir claramente a voz de Silvio Santos acompanhando a encenação. Parte dos rostos aparece coberta por tarjas pretas, o que indica algum nível de censura aplicado ao material disponibilizado no site oficial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
A presença da gravação nos arquivos de Epstein não teve, até agora, uma explicação detalhada. As autoridades norte-americanas esclarecem apenas que a inclusão do vídeo não implica qualquer relação entre o apresentador, o programa ou os envolvidos na pegadinha com as atividades criminosas do financista. O material estaria entre conteúdos reunidos de forma ampla durante o processo investigativo, sem vínculo direto com a acusação central.
Quem é Epstein?
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano nascido em Nova York. Eem 1982, fundou sua própria empresa de investimentos, atendendo exclusivamente clientes com patrimônio superior a US$ 1 bilhão. Com o tempo, Epstein acumulou propriedades e apartamentos em diversos países, incluindo uma ilha particular no Caribe, e manteve contato com algumas das pessoas mais ricas e influentes do mundo.
Apesar do sucesso financeiro, Epstein ganhou notoriedade por crimes sexuais graves. Desde 2005, surgiram diversas acusações de que ele explorava sexualmente menores de idade, oferecendo dinheiro em troca de atos sexuais em suas propriedades, principalmente em Palm Beach e Nova York. Ele foi condenado por alguns desses crimes e cumpriu 13 meses de prisão, mas continuou alvo de novas investigações. Em 2019, Epstein foi encontrado morto em uma prisão federal, em circunstâncias oficialmente classificadas como suicídio, encerrando seu julgamento criminal, mas deixando um acervo de documentos e investigações conhecido como os “arquivos de Epstein”.
O que são os arquivos de Epstein
Os arquivos de Epstein são o conjunto de documentos reunidos por procuradores federais durante as investigações e processos envolvendo Jeffrey Epstein e sua cúmplice e ex-namorada, Ghislaine Maxwell. O acervo ultrapassa 300 gigabytes de dados e inclui relatórios, memorandos internos, vídeos, fotografias e áudios armazenados no sistema eletrônico de gerenciamento de casos do FBI, conhecido como Sentinel.
Entre os materiais estão relatórios da investigação original conduzida pelo FBI em Miami e, principalmente, registros da segunda apuração realizada em Nova York. Esse conjunto inclui memorandos sobre possíveis alvos, locais a serem revistados, pedidos de intimação e centenas de formulários conhecidos como 302, usados por agentes do FBI para registrar entrevistas com testemunhas, vítimas e suspeitos.
Parte desses arquivos já havia se tornado pública por meio de processos cíveis, do julgamento criminal de Ghislaine Maxwell e de reportagens. Ainda assim, por anos, setores da mídia e da opinião pública sustentaram a ideia de que o governo dos Estados Unidos ocultava informações relevantes sobre o caso, alimentando teorias sobre uma suposta lista de clientes de Epstein. Segundo jornalistas que acompanham o caso de perto, não há evidências de que tal lista exista.
A divulgação integral dos arquivos de Epstein ganhou força após pressões políticas e sociais por mais transparência. O tema se tornou ainda mais sensível diante das discussões sobre a relação do financista com figuras públicas e empresários influentes, como Donald Trump, todos negando qualquer envolvimento com atividades ilegais.

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Arquivos de Epstein e as menções ao Brasil
Além do episódio curioso envolvendo a televisão brasileira, os arquivos de Epstein revelam uma quantidade significativa de referências ao Brasil. Levantamento aponta cerca de 4 mil menções ao país nos documentos já divulgados. Entre elas está um depoimento prestado à Justiça da Flórida, em junho de 2010, no qual uma testemunha afirma que Jeffrey Epstein viajava ao Brasil para se encontrar com clientes e mantinha contato com uma mulher que lhe fornecia garotas para prostituição, inclusive menores de idade, durante suas estadias.
Esses registros reforçam o caráter internacional da investigação e ajudam a explicar por que tantos documentos de origens diversas acabaram reunidos no mesmo acervo. Ainda assim, a simples presença de nomes, países ou imagens nos arquivos de Epstein não significa, por si só, envolvimento em crimes, ponto reiterado pelas autoridades dos Estados Unidos.
Até o momento, o SBT não se manifestou sobre a presença da pegadinha do programa de Silvio Santos nos arquivos de Epstein. O episódio, embora inusitado, ilustra como a abertura do acervo expõe não apenas detalhes dos crimes investigados, mas também a amplitude e, por vezes, a aleatoriedade dos materiais reunidos ao longo de anos de apuração.