“Virou uma fatalidade”: passageiros relatam caos antes do acidente na BR-365
Passageiros relatam troca de ônibus após panes mecânicas; acidente na BR-365 matou vítimas e deixou feridos durante retorno de excursão a Salvador
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Sobreviventes e familiares das vítimas que estavam no ônibus que capotou na BR-365, entre Varjão de Minas e Patos de Minas, na manhã de terça-feira (6) relatam problemas durante a viagem entre Salvador e Patos de Minas. Passageiros afirmam que a viagem de retorno a Uberlândia, após passeio na Bahia, foi marcada por sucessivas panes mecânicas e pela troca do veículo original, que acabou culminando no acidente que deixou seis mortos e dezenas de feridos.
Entre os passageiros estava Tamires de Oliveira Medeiros, de 35 anos, que viajava com familiares e amigos. Segundo ela, a excursão é realizada há cerca de 18 anos pelo mesmo grupo. “Já tivemos problemas anteriormente (em outras excursões)… ônibus que quebraram, mas sempre houve solução. Dessa vez foi diferente, foi uma fatalidade”, relatou. Tamires Medeiros perdeu a irmã no acidente. A mãe dela sofreu fraturas nos braços, costelas e na região da cintura e segue hospitalizada. As crianças que estavam na viagem, incluindo o filho de seis anos da vítima fatal, não tiveram ferimentos graves.

Ônibus apresentou pane e grupo ficou parado na estrada
De acordo com os relatos, o ônibus inicialmente contratado apresentou problemas mecânicos ainda na Bahia, em Brejões. O grupo chegou a ficar hospedado em uma pousada após não conseguir o conserto do veículo em uma cidade do interior. Somente depois disso outro ônibus foi alugado para dar continuidade à viagem. “Foi nesse segundo ônibus que aconteceu o acidente, já próximo a Patos de Minas”, contou a passageira Tamires. Imagens obtidas pela reportagem mostram o primeiro coletivo quebrado antes da substituição.

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Áudio enviado antes do acidente levanta alerta sobre problemas
Uma das vítimas fatais, Lidiane da Rocha, de 44 anos, chegou a enviar áudios para familiares horas antes do capotamento. Nas mensagens, ela descreveu cansaço extremo, atraso na viagem e preocupação com o ritmo da condução. O material foi repassado à família após a tragédia e reforçou os questionamentos sobre as condições da viagem.
Família denuncia falta de apoio da empresa de turismo
A sobrinha de Lidiane, Luciana da Rocha Ramos, afirmou que a família enfrenta dificuldades desde o acidente. Segundo ela, não houve apoio da empresa responsável pela excursão após a confirmação da morte. “Cheguei ao IML de Patos de Minas e não recebi sequer uma palavra de solidariedade”, relatou. A família arcou com custos de translado, no valor de R$ 850, e com despesas de velório, estimadas em R$ 1.900, parte delas viabilizada com apoio da prefeitura e doações solidárias.
Ainda segundo Luciana da Rocha, a sequência de problemas durante a viagem, incluindo a troca de ônibus e longos períodos parados na estrada, precisa ser apurada. “Minha tia pagou por uma viagem de ida e volta para passar o Réveillon em Salvador e acabou morrendo no caminho de volta”, desabafou.
Os amigos de Jean Carlos da Victoria também enfrenta dificuldades para arcar com os custos do translado e do velório e, por isso, passou a mobilizar amigos e conhecidos em uma vaquinha solidária. Segundo a mensagem divulgada, o objetivo é garantir uma despedida digna, já que as despesas com o sepultamento no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, somam R$ 6.417,60. As contribuições estão sendo direcionadas a um familiar que acompanha os trâmites em Patos de Minas, responsável por organizar toda a logística.
Investigação da Polícia Civil segue em andamento

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que apura as causas e circunstâncias do acidente ocorrido na noite de segunda-feira (6), na BR-365, entre Patos de Minas e Varjão de Minas. A perícia oficial esteve no local para coleta de vestígios e, segundo dados preliminares, o ônibus transportava 52 pessoas — dois motoristas e 50 passageiros — e seguia de Salvador (BA) para Uberlândia (MG).
Seis vítimas não resistiram aos ferimentos e morreram; os corpos foram encaminhados ao Posto Médico-Legal de Patos de Minas para necropsia e identificação. A PCMG também informou que o condutor não possuía o Curso Especializado para Transporte Coletivo de Passageiros (CETCP), exigido para a função, o que caracteriza, em tese, irregularidade administrativa. Testes de etilômetro descartaram consumo de álcool e, no momento do acidente, chovia intensamente na região.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal, o motorista relatou perda de controle da direção, seguida de capotamento e colisão contra árvores às margens da rodovia. As investigações seguem em andamento e ficarão a cargo da Delegacia Adjunta de Trânsito e Acidentes de Veículos. A reportagem tentou contato com a empresa responsável pela viagem, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno; o espaço segue aberto para manifestações.