Mudança na CNH provoca queda na demanda e ameaça empregos em autoescolas
Nova regra que desobriga aulas em autoescolas reduziu matrículas, fechou unidades e ameaça milhares de empregos no setor; novas regras ainda não entraram em vigor
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A resolução aprovada pelo Contran nesta segunda-feira (1º), que elimina a obrigatoriedade das aulas práticas em autoescolas e reduz a carga mínima de aulas teóricas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), já provoca efeitos em Uberlândia. Desde que a mudança começou a ser debatida, a procura pelos serviços caiu significativamente, algumas autoescolas fecharam as portas e instrutores temem o desemprego, cenário que pode se agravar nos próximos meses, segundo representantes do setor na cidade.
Hoje o custo médio para tirar a CNH varia entre R$ 2.500 a R$ 3.500, podendo chegar a R$ 5.000. A variação se dá por taxas estaduais e o preço das autoescolas. A proposta do governo visa reduzir o custo em até 80% ao tornar as aulas em autoescola opcionais.

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Uma pesquisa da Fecomércio, realizada no segundo semestre deste ano, com 521 Centros de Formação de Condutores (CFCs) aponta que mais da metade (51%) das autoescolas de Minas Gerais pode fechar as portas, e 98% relatam queda de faturamento. Pelo menos 47% tiveram redução superior a 60% nas matrículas nos últimos dois meses.
Mudanças na CNH
Autoescolas de Uberlândia revelam consequências
A diretora de ensino da Autoescola Mundial, Flávia Leite, afirma que a formação adequada é fundamental para a segurança nas ruas. “A educação no trânsito é essencial. Nas ruas o motorista se depara com adversidades e precisa estar preparado, temo que o país sofra com pessoas mal instruídas. A falta de conhecimento gera transtornos e acidentes.”
Ela reforça que a escola “preza pelo valor da vida e pela boa formação” e está preparada para se ajustar às novas mudanças e ajudar aqueles que desejam se tornar condutores.
Já o diretor da Autoescola Ribeiro, Leonardo Akira, explica que apesar do discurso de redução de custos, o barateamento pode não ocorrer na prática. “Com apenas duas aulas, ninguém aprende a dirigir. Isso pode ser útil para quem já tem experiência, mas não para quem nunca pegou um carro. A pessoa pode até pagar menos agora, mas pode acabar gastando mais com repetição de exames reprovados ou aulas avulsas.”
Ele compara o novo cenário com o vestibular. “Ninguém é obrigado a fazer cursinho, mas a maioria faz para passar. A autoescola pode se tornar isso, um curso preparatório, não obrigatório, mas necessário para quem quer ter segurança.”
Akira também relata os impactos mais graves já sentidos em Uberlândia. “A conversa começou meses atrás e as pessoas pararam de procurar as autoescolas esperando a decisão final. Muitas empresas já fecharam as portas e muitas demitiram funcionários. Estamos nos adaptando com novos pacotes e formatos para diferentes perfis de alunos. Segundo ele, apesar das dificuldades, as autoescolas tradicionais tendem a se reinventar. “Existem perfis muito diferentes. Para alguns, duas aulas bastam, para outros, 20 ainda são poucas. Vamos analisar os modelos.”
Instrutores temem desemprego
Com o avanço da modalidade de liberdade ao se preparar para os exames de rua e queda no número de alunos, profissionais do setor avaliam que o desemprego pode crescer rapidamente. A pesquisa estadual indica que 4.406 famílias dependem dos CFCs em Minas Gerais, e parte delas pode ser afetada. Uberlândia, que já vinha registrando fechamento de unidades, agora enfrenta incertezas ainda maiores.
Setor pretende se adaptar ao novo ritmo
Autoescolas da cidade afirmam que o mercado vai mudar, mas não deve desaparecer. Novos modelos que já estão sendo avaliados incluem:
- Pacotes personalizados;
- Aulas avulsas;
- Treinamentos específicos para quem já dirige;
- Cursos intensivos para quem tem dificuldade.
