Duplicação da BR-365 não deve sair antes de 2030, aponta edital
Previsão técnica frustra motoristas que realizaram manifestação nesta segunda-feira (2) cobrando agilidade nas obras
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As obras de duplicação de alguns trechos da BR-365 e de outras rodovias do Triângulo Mineiro só devem ser entregues a partir de 2030. Embora o Governo de Minas tenha publicado o edital de concessão do Lote Noroeste em janeiro, o detalhamento técnico das obras indica que a duplicação na BR-365 e em outras rodovias da região só deve ser iniciada daqui a quatro anos.
O edital de concessão do Lote Noroeste prevê investimentos de R$ 7,5 bilhões ao longo de 30 anos para a modernização de mais de 760 quilômetros de rodovias em Minas Gerais. O leilão que definirá a concessionária responsável pela gestão do trecho está previsto para março de 2026.
O Lote Noroete abrange ainda pontos da CMG-496, MG-408 e MG-181 e visa reduzir o número de acidentes fatais e melhorar o escoamento da produção regional.

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A futura concessionária será responsável por uma série de melhorias estruturais, como a duplicação de 80 quilômetros de pistas e o asfaltamento de outros 110 quilômetros que hoje são de terra.
Obras e duplicação na BR-365
O contrato estabelece a duplicação de aproximadamente 71 quilômetros da BR-365 entre Patrocínio, Patos de Minas e Guimarânia, além de outros 9 quilômetros no perímetro urbano de Montes Claros. Alguns dos trechos só serão duplicados após o oitavo ano de obras.
O cronograma de obras prevê também a duplicação de longos trechos das rodovias BR-146, BR-365 e BR-251, passando por Patos de Minas, Guimarânia, Patrocínio e Montes Claros. As intervenções serão distribuídas ao longo de oito anos após a seleção da empresa responsável.
Na BR-146, em Patos de Minas, a duplicação se estende por mais de 26 quilômetros, alternando trechos com canteiro central (separação física mais larga entre as pistas) e outros com barreiras de concreto do tipo New Jersey, usadas principalmente onde há menos espaço ou maior necessidade de contenção. As obras passam por áreas de relevo plano e ondulado.

Já na BR-365, os trabalhos abrangem um dos principais corredores rodoviários da região. A duplicação começa ainda em Patos de Minas, segue por Guimarânia e avança até Patrocínio, somando mais de 40 quilômetros de pista duplicada. Assim como na BR-146, o projeto combina canteiro central e barreiras de concreto, conforme as características do terreno e do traçado da rodovia.
Na BR-251, em Montes Claros, também estão previstas obras de duplicação em diversos pontos, com implantação de novas pistas entre os quilômetros 540 e 549.
De forma geral, a duplicação dessas rodovias visa reduzir acidentes, melhorar a fluidez do tráfego e dar mais segurança aos motoristas, especialmente em trechos com grande circulação de caminhões e veículos de passeio. As intervenções serão executadas de forma gradual, conforme o cronograma previsto para cada ano de obra.
Outro ponto crítico que receberá atenção, ainda no primeiro ano de contrato, é a ponte sobre o Rio das Velhas (km 148 da BR-365). A estrutura, que está interditada para veículos pesados desde o início de 2025, passará por reforço estrutural para ser liberada ao tráfego de carga.
Além das grandes obras, o projeto de concessão do Lote Noroeste contempla:
- Implantação de 75 quilômetros de acostamentos e 19 quilômetros de vias marginais
- Construção de 35 passarelas para pedestres
- Instalação de 102 dispositivos de retorno e rotatórias
- Revitalização de 277 acessos e intervenções em 26 pontes e viadutos
Pedágio na BR-365 levou manifestantes a interditarem pista
Manifestantes contrários ao pedágio na BR-365 interditaram parcialmente a rodovia na manhã de segunda-feira (2) em protesto contra o edital de concessão publicado pelo Governo de Minas Gerais. O grupo critica a previsão de cobrança de tarifa sem a duplicação imediata da rodovia, considerada perigosa e com vários registros de acidentes graves.
Para os manifestantes, o principal problema é a previsão de cobrança de pedágio antes da duplicação total da rodovia. Eles argumentaram que a BR-365 é palco frequente de acidentes, muitos deles fatais, já noticiados pelo Paranaíba Mais.
Entre os casos lembrados está o tombamento de um ônibus de turismo com passageiros de Uberlândia que retornavam de Salvador, e que deixou seis mortos e 46 feridos.
Serviços ao usuário e pedágios
A segurança viária será reforçada por serviços operacionais 24 horas, que incluem guinchos, socorro médico e mecânico, e monitoramento de tráfego. O motorista começará a pagar pedágio após a conclusão dos serviços iniciais, previstos para o primeiro ano de contrato.
No caso específico da MG-408, a cobrança só será permitida após a pavimentação total dos 110,6 km que ligam Brasilândia de Minas a Buritizeiro.
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Integração com o Governo Federal
A viabilização do projeto contou com o apoio técnico do BNDES e um alinhamento estreito com o Ministério dos Transportes. Antes da assinatura definitiva do contrato, o Governo Federal deverá formalizar a transferência do trecho da BR-365 (entre Patrocínio e Montes Claros) para o Estado.
Esse modelo de gestão já é aplicado com sucesso em outras regiões, como no Lote Triângulo Mineiro, que administra a BR-365 no trecho entre Uberlândia e Patrocínio.
A expectativa é que a integração com outros projetos, como a concessão federal “Rota das Gerais”, crie um corredor logístico moderno e seguro, elevando a competitividade econômica de Minas Gerais e preservando a vida de quem trafega pelas rodovias mineiras.