Uberlândia encerra 2025 com chuvas abaixo da média histórica
Município acumulou 1.147,4 mm ao longo do ano, valor distante da média histórica (1.537,8 mm); meses chuvosos, como novembro, decepcionaram produtores e especialistas
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Uberlândia terminou 2025 com um volume de chuvas inferior à média histórica, resultado de um ano marcado por precipitações irregulares e abaixo do esperado em praticamente todos os meses. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município acumulou 1.147,4 milímetros de chuva ao longo do ano, número abaixo da média climatológica atual, que é de 1.537,8 milímetros.

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Segundo o geógrafo William Borges, apesar de dezembro ter sido o mês mais chuvoso de 2025, com 293,6 milímetros registrados até o dia 31, o volume ainda ficou abaixo da média esperada para o período, que é de 313,4 mm. Novembro, tradicionalmente um mês chuvoso, também apresentou comportamento atípico, com apenas 106,8 mm de precipitação. Esses dois meses contribuíram diretamente para que o acumulado anual ficasse abaixo da média.
Chuvas abaixo da média histórica no município
Dados do Inmet, com registros desde 1981, mostram que 2025 entrou para a lista dos anos com menores volumes de chuva em Uberlândia. Outros anos que também ficaram abaixo da média climatológica incluem:
Média climatológica município Uberlândia: 1.537,8 milímetros
- 1985 (1.278 mm)
- 1990 (1.012,6 mm)
- 1998 (1.313,7 mm)
- 1999 (1.284 mm)
- 2010 (1.258,2 mm)
- 2014 (1.181,6 mm)
- 2021 (1.357,1 mm)
Verão menos chuvoso e influência dos fenômenos climáticos
O período chuvoso, que costuma ser mais intenso entre janeiro e março, também apresentou volumes inferiores ao esperado. Um dos fatores que contribuíram para esse cenário foi o deslocamento da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que concentrou grandes acumulados de chuva em regiões do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país, reduzindo a influência direta sobre o Triângulo Mineiro.
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Chuvas irregulares ao longo do ano de 2025
Segundo o climatologista William Borges, a cidade registrou chuvas abaixo da média em quase todo o ano, com exceção apenas dos meses de abril e outubro de 2025. Entre janeiro e novembro, Uberlândia acumulou 841,8 milímetros de chuva, um déficit de cerca de 700 milímetros em relação à média climatológica do período. “Tivemos chuvas muito abaixo da média praticamente o ano todo, com exceção de abril e outubro, o que representa uma mudança significativa em relação aos padrões históricos da cidade”, explicou o climatologista.
A irregularidade das chuvas impactou diretamente o setor agrícola da região. De acordo com o climatologista, a redução no volume pluviométrico interfere no planejamento do plantio, no desenvolvimento das culturas e nas épocas de safra, afetando especialmente a monocultura predominante no Triângulo Mineiro.
Distribuição mensal das chuvas mês a mês
Os meses com menor volume de chuva foram julho e agosto, período típico de estiagem na região, com apenas 1,4 mm e 4 mm registrados, respectivamente. As chuvas começaram a ganhar força novamente a partir de outubro, mas sem alcançar volumes suficientes para compensar o déficit acumulado ao longo do ano.
Precipitação mensal em Uberlândia 2025:
- Janeiro: 198,6 mm
- Fevereiro: 125,8 mm
- Março: 98,6 mm
- Abril: 147,4 mm
- Maio: 22,2 mm
- Junho: 12 mm
- Julho: 1,4 mm
- Agosto: 4 mm
- Setembro: 11 mm
- Outubro: 126 mm
- Novembro: 106,8 mm
- Dezembro: 293,6 mm
Previsão para os próximos meses
A chegada de 2026 será acompanhada por um cenário de instabilidade no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba. Entre os primeiros dias de janeiro, a previsão indica calor, céu carregado e temporais que podem ocorrer principalmente entre a tarde e a noite, trazendo riscos de alagamentos, ventos fortes e transtornos urbanos.
Para o verão, a expectativa é de chuvas irregulares, com possibilidade de períodos de veranico, quando há dias seguidos de calor e estiagem, intercalados por pancadas intensas de chuva. “A previsão indica um cenário extremamente irregular para os próximos três meses, com volumes dentro da média em alguns períodos e abaixo da média em outros”, concluiu Borges.