El Niño 2026 pode levar calor extremo a Uberlândia e região
Fenômeno climático tem mais de 80% de chance de se formar no segundo semestre de 2026 e pode provocar calor intenso, seca e chuva extrema no Brasil.
O avanço do El Niño em 2026 já preocupa especialistas por causa dos possíveis impactos no mundo todo. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a tendência apontada pelos modelos climáticos é de temperaturas acima da média, períodos mais secos, baixa umidade e ondas de calor mais frequentes entre o segundo semestre de 2026 e o verão de 2027. Segundo especialistas, o fenômeno pode elevar as temperaturas para até 38º na região e ameaça significamente o sul do país.
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Segundo a nota técnica da Central Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), existe mais de 80% de probabilidade de um novo episódio do fenômeno se desenvolver entre agosto e outubro de 2026.
De acordo com o Cemaden, o El Niño é um fenômeno atmosférico e oceânico associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, principalmente nas regiões central e leste próximas ao Equador e ao Peru. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e modifica os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.
O fenômeno faz parte do ciclo conhecido como El Niño Oscilação Sul, que alterna períodos de aquecimento, neutralidade e resfriamento das águas do Pacífico. Os episódios costumam ocorrer em intervalos de dois a sete anos e podem provocar mudanças significativas no clima brasileiro. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto áreas do Centro Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste enfrentam calor mais intenso e redução da umidade.
El Niño pode elevar temperaturas em Uberlândia e no Triângulo Mineiro
O geógrafo especialista em clima William Borges afirma que o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba devem enfrentar um cenário de calor persistente e irregularidade nas chuvas caso o El Niño realmente se consolide em 2026.
“Para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, um El Niño em 2026 pode favorecer um cenário de mais calor, chuva irregular e maior atuação de bloqueios atmosféricos”, destacou o especialista.
Segundo William Borges, cidades como Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Frutal, Campina Verde e Patos de Minas podem registrar temperaturas entre 35°C e 38°C em períodos críticos da primavera e do início do verão.
Ele também explica que o aquecimento do Pacífico pode fortalecer bloqueios atmosféricos sobre o Sudeste e Centro Oeste, dificultando a chegada de frentes frias organizadas e reduzindo episódios de chuva volumosa.
Ainda conforme o especialista, os principais sinais observados atualmente incluem o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, anomalias positivas na região Niño 3.4, enfraquecimento dos ventos alísios e alta probabilidade indicada por modelos climáticos internacionais.
Segundo a Cemaden, na região central do país, incluindo as regiões Sudeste e Centro-Oeste, as ondas de calor costumam se tornar mais frequentes, normalmente acompanhadas de condições de baixa umidade. Desta forma, é possível especular sobre possíveis impactos no meio ambiente.
Sul do Brasil entra em alerta para chuva extrema e tempestades
As notas técnicas do Cemaden mostram que os maiores impactos do El Niño costumam ocorrer na Região Sul do país. O aumento das chuvas durante primavera e verão já foi observado em diversos episódios históricos, como nos eventos de 1982 a 1983, 1997 a 1998, 2009 a 2010 e 2015 a 2016.
No episódio mais recente, entre 2023 e 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou chuvas excepcionais e acumulados que chegaram a 900 milímetros em menos de 20 dias. As enchentes históricas provocaram enormes prejuízos em diferentes regiões do estado, principalmente na área hidrográfica do Guaíba e na região metropolitana de Porto Alegre.
Os estudos também mostram que o El Niño não significa apenas mais chuva. Durante esses períodos aumenta a frequência de tempestades severas, granizo, ciclones e eventos extremos de precipitação. O Cemaden destaca que o Sul do Brasil registrou aumento de cerca de 30% na precipitação média anual nas últimas décadas, além da ampliação do número de dias com chuvas superiores a 50 milímetros.
Apesar dos alertas, os pesquisadores reforçam que o fenômeno não provoca desastres diretamente. Segundo o Cemaden, o El Niño aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas os impactos dependem também de fatores como vulnerabilidade urbana, ocupação irregular e capacidade de resposta das cidades.
Cientistas da Nature alertam para possibilidade de super El Niño
Uma reportagem publicada pela revista Nature mostra que cientistas acompanham com atenção o possível desenvolvimento de um “super El Niño” nos próximos meses. Segundo os pesquisadores, as águas do Pacífico Tropical já apresentam temperaturas acima da média, cenário considerado um dos principais sinais da formação do fenômeno.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, conhecida como NOAA, estima 82% de chance de desenvolvimento do El Niño entre maio e julho de 2026 e 96% de probabilidade de permanência do fenômeno até dezembro. Ainda existe incerteza sobre a intensidade máxima do evento, mas alguns modelos europeus apontam possibilidade de aquecimento oceânico acima de 3°C no Pacífico Equatorial.
A cientista climática Andréa Taschetto, da Universidade de Nova Gales do Sul, afirmou à Nature que ainda não é possível determinar qual será a intensidade final do fenômeno. Já Emily Becker, da Universidade de Miami, destacou que os ventos alísios terão papel decisivo na evolução do aquecimento oceânico.
Os pesquisadores também alertam para a combinação entre El Niño e aquecimento global. Segundo os cientistas, um evento muito forte pode ampliar secas em áreas semiáridas, elevar o risco de incêndios florestais e aumentar a ocorrência de chuvas torrenciais e inundações em diferentes regiões do planeta.