Alerta vermelho: chuvas fortes em Juiz de Fora vão até sexta (27)

Tragédia na Zona da Mata mineira já deixou 38 mortos devido às chuvas fortes em Juiz de Fora e Ubá; Inmet emitiu alerta de grande perigo

, em Uberlândia

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A Zona da Mata mineira está sob alerta vermelho, o mais severo, para chuvas intensas até a próxima sexta-feira (27). O aviso foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e atinge as regiões de Juiz de Fora e Ubá, que registraram 38 mortes e 30 pessoas desaparecidas, até o momento, devido às fortes chuvas.

Alerta vermelho para Zona da Mata. Chuvas fortes em Juiz de Fora.
Chuvas fortes em Juiz de Fora e Ubá devem continuar até a próxima sexta-feira (27), conforme alerta do Inmet – Crédito: Inmet/Divulgação

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Segundo o Inmet, o risco aumenta para grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas. O município de Matias Barbosa, que também sofreu com as fortes chuvas entre segunda (23) e terça-feira (24), também está na lista de cidades afetadas pelo aviso do Inmet.

O alerta vermelho do Inmet representa grande perigo e é o nível máximo de severidade. Está associado a eventos mais severos e com potencial de grandes impactos.

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Recomendações do Inmet

  • Desligue aparelhos elétricos, quadro geral de energia
  • Observe alteração nas encostas
  • Permaneça em local abrigado
  • Em caso de situação de inundação ou similar, proteja seus pertences da água envoltos em sacos plásticos
  • Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193)

 

caixões e carros são arrastados por correnteza após chuvas em Ubá
Caixões e carros são arrastados por correnteza após chuvas em Ubá – Créditos: Redes sociais/Reprodução

 

Relevo impacta chuvas e estragos na Zona da Mata

A formação natural da região, marcada pelos chamados mares de morro, impacta diretamente a destruição causada pelas fortes chuvas na Zona da Mata. Em entrevista ao Paranaíba Mais, o geógrafo Guilherme Corrêa descreveu a área como “relevo ondulado a montanhoso, com declividades fortes”.

As áreas mais antigas das cidades se concentram nos terraços fluviais, superfícies planas próximas aos cursos d’água. Em condições normais, esses locais não sofrem inundações frequentes. O problema surge quando o volume de chuva ultrapassa a capacidade de drenagem, o que causa o cenário de chuvas e estragos na Zona da Mata. “Se fosse 90 milímetros em oito horas talvez não acontecesse quase nada. Mas quando chega a 190 milímetros, isso extrapola a capacidade do solo e do canal de drenagem”, afirma.

Ele acrescenta que fatores como assoreamento, impermeabilização do solo e ocupação intensa das margens dos rios agravam o quadro. “A cidade foi construída espremendo o rio. Isso não dá mais certo”, alerta. Corrêa lembra ainda que a região já foi coberta por densa floresta atlântica e que a substituição por pastagens e outras atividades reduziu a capacidade natural de infiltração da água, colaborando para as chuvas e estragos na Zona da Mata.

Mortes em Juiz de Fora e Ubá chegam a 36

As fortes chuvas deixaram um rastro de destruição e pesar pelas duas cidades mineiras. Conforme a última atualização do Corpo de Bombeiros, 32 pessoas morreram em Juiz de Fora e seis em Ubá. Outras 30 pessoas seguem desaparecidas (28 em JF e duas em Ubá).

Devido ao estado de calamidade pública, bombeiros de Uberlândia, Uberaba e Patos de Minas foram enviados até Juiz de Fora para as ações de resposta, busca, salvamento e apoio às comunidades afetadas.