Brasil anuncia estudo para criar próprio GPS após polêmicas com EUA
Escala nos conflitos diplomáticos entre EUA e Brasil aumentaram após a polêmica de que o governo norte-americano poderia bloquear o GPS em solo brasileiro
O Governo do Brasil está estudando a viabilidade do país desenvolver seu próprio sistema de geolocalização por satélite (GPS), segundo informado pela Agência Brasil na tarde desta terça-feira (22). O anúncio vem logo após a escalação dos conflitos diplomáticos entre os Estados Unidos e o país brasileiro, com uma nova ameaça norte-americana: o bloqueio do GPS do Brasil.
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A polêmica do GPS dominou as redes sociais no último fim de semana. Tudo começou após a Folha de S.Paulo divulgar que aliados do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmaram que membros do Departamento de Estado dos Estados Unidos irão adotar novas sanções contra o Brasil, como o bloqueio do uso de satélites e GPS.
Na sexta-feira (18), o secretário norte-americano Marco Rubio determinou a revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seus familiares e “aliados na Corte”, para entrar nos Estados Unidos. Rubio alegou que Moraes tem perseguido Bolsonaro:
“A política de caça às bruxas de Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura que viola os direitos dos brasileiros e também atinge os americanos. Ordenei a revogação dos vistos de Moraes, seus aliados na corte, e seus familiares, de forma imediata”, declarou, conforme informado pela Agência do Brasil.
GPS próprio do Brasil?
Segundo a Agência Brasil, um grupo de especialistas vai estudar a viabilidade do desenvolvimento de um GPS próprio do Brasil. O grupo técnico é formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de agências e institutos federais e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil.
Através da Resolução n.º 33, do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro, o grupo foi criado no início do mês. A resolução estabelece um prazo de 180 dias, contados a partir de 14 de julho, para que o grupo entregue ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Antonio Amaro dos Santos, que assinou a resolução.
Conforme a Agência Brasil, o estudo foi viabilizado uma semana antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que os produtos brasileiros pagarão uma tarifa de 50% na exportação para o território norte-americano. E duas semanas antes da polêmica sobre a possibilidade dos Estados Unidos bloquear o GPS no Brasil.
Segundo o diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira, Rodrigo Leonardi, o caso é um ruído que surgiu nas redes sociais, que pode gerar ansiedade. A criação do grupo e a polêmica é uma coincidência para ele, visto que já estudavam o tema anteriormente.
“Primeiro, porque não houve nenhum comunicado, de nenhuma autoridade norte-americana, sobre a remota possibilidade dos EUA restringirem o uso do GPS no Brasil. Depois porque, mesmo que isso acontecesse – o que seria uma situação muito drástica e improvável – há alternativas ao GPS”, assegurou o diretor à Agência Brasil.