Zona da Mata: sobreviventes cobram sistema de alerta eficiente

Juiz de Fora concentra 63 das 69 mortes confirmadas e enfrenta pressão por medidas estruturais em áreas consideradas de alto risco

, em Uberlândia

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Na Zona da Mata, o número de mortes identificadas subiu para 69 pessoas. Segundo boletim da Polícia Civil (PC-MG), emitido às 12h deste sábado (28),  63 vítimas foram localizadas em Juiz de Fora e 6 em Ubá. Ainda segundo a polícia, houve a informação de mais uma vítima localizada em Juiz de Fora, mas ainda não foi confirmado. Em meio à situação crítica, sobreviventes apontam ausência de mecanismos de segurança.

 

Estragos na Zona da Mata
– Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil

De acordo com o último boletim dos Bombeiros, em Juiz de Fora, 700 pessoas estão desabrigadas e 3500 desalojadas, além de uma pessoa desaparecida. Em Ubá, 25 pessoas estão desabrigadas e 396 desalojados. Existe uma divergência entre o número de mortos contabilizados pelos bombeiros (66), pois a PCMG contabiliza pessoas mortas posteriormente, em decorrência de ferimentos causados pelo desastre.

As queixas dos sobreviventes na Zona da Mata

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, afirmou na sexta-feira (27) que uma em cada quatro pessoas da cidade vive em área de risco e defendeu intervenções estruturais em todo o município para evitar novas tragédias.

Também na sexta-feira, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou o repasse de R$ 6,196 milhões para ações emergenciais em sete municípios atingidos por desastres naturais em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.

À reportagem da Agência Brasil, sobreviventes cobraram um sistema de emergência mais efetivo. Segundo os relatos de uma das vítimas, “não teve aviso, não teve sirene para alertar, não teve”.

“Eles podiam vir alertar antes, fazer prevenção. Porque a pessoa quando vê a chuva, ela se abriga onde ela tem para ir”. E naquela situação, completou, eram casas em risco. “A pessoa, sozinha, ela não vai imaginar que vai descer uma montanha, um barranco, ela se sente segura em casa e volta”, contou. 

Na avaliação do professor do Departamento de Geociências do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora, Miguel Felippe, embora o município conte com mapa de risco e um sistema de alerta considerado estruturado, ficou evidente a necessidade de aprimorar a comunicação e a organização das ações preventivas.

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Segundo ele, é fundamental que a população saiba exatamente como agir em situações de emergência, com informações claras sobre rotas de fuga, pontos seguros e endereços de abrigos públicos.

Da mesma forma, o professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jordan de Souza, avalia que o sistema de alerta da Defesa Civil é tão importante quanto as obras de engenharia para reduzir riscos em períodos de chuva intensa.

Segundo o especialista, o volume de precipitação registrado em Juiz de Fora nos últimos dias superou a capacidade das estruturas existentes, enquanto intervenções contratadas pela prefeitura ainda estão em execução ou em fase de contratação.

Diante da ausência de uma solução estrutural definitiva, o professor defende a realocação habitacional de moradores que vivem em áreas consideradas de alto risco.

Em entrevista à Agência Brasil, a secretária de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular do município, Cidinha Louzada, explicou que a cidade conta com um sistema de alerta por mensagens enviadas diretamente aos telefones celulares dos moradores.

Segundo ela, o uso de sirenes sonoras não é considerado adequado devido às características geográficas do terreno. A secretária avalia que o principal desafio não está apenas no aviso, mas na resistência de parte da população em deixar suas casas mesmo diante do risco.