Ubá a “capital das plásticas” de Minas atrai pacientes e vira alvo de investigação
Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que investiga um médico e a proprietária de uma casa de apoio a pacientes por suspeitas de estelionato, lesão corporal e outros crimes
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Localizada na Zona da Mata mineira, a cidade de Ubá ganhou fama nacional ao se tornar referência em cirurgias plásticas com valores até 70% mais baixos do que os praticados em grandes capitais. Conhecida como a “capital das plásticas” de Minas Gerais, a cidade com pouco mais de 100 mil habitantes, tem atraído pacientes de todas as regiões do país, que atravessam milhares de quilômetros de distância, em busca do sonho de transformar o corpo por um preço acessível.
Capital das plásticas de Minas Gerais
A promessa de transformação corporal por valores “inimagináveis” tem levado centenas de brasileiros a optarem por realizar os procedimentos em Ubá. Em um dos casos, uma paciente de Cuiabá, no Mato Grosso, conseguiu realizar um pacote de cirurgias por R$ 35 mil. Em sua cidade de origem, o mesmo conjunto de procedimentos sairia por R$ 122 mil.
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O combo cirúrgico, conhecido entre os profissionais da cidade como “X-Tudo”, inclui lipoaspiração nas costas, retirada de pele e gordura do abdômen, elevação das mamas e aumento dos glúteos.
Casas de apoio e financiamentos impulsionam turismo estético
Parte do atrativo está no modelo de serviço oferecido, clínicas, casas de recuperação pós-operatória e até empresas de crédito atuam em conjunto para facilitar o processo. A gerente da Pag Crédito Ubá, Lucilene Queiroz, promove nas redes sociais financiamentos em até 120 parcelas, sem exigência de comprovação de renda.
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“Você parcela sua cirurgia plástica mesmo sendo autônomo”, informa em vídeo no Instagram da empresa.
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Investigações e denúncias
Apesar do movimento crescente, o fenômeno em Ubá também vem chamando a atenção das autoridades. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que há investigações em andamento envolvendo um médico e a dona de uma casa de apoio a pacientes.
Segundo a corporação, um dos inquéritos apura a atuação de uma técnica de enfermagem que administra a casa de recuperação. Mais de 30 pacientes relataram não ter recebido os serviços conforme o contratado, o que pode configurar estelionato.
Outro inquérito, já em fase final, investiga não apenas suspeitas de estelionato, mas também de lesão corporal e outros crimes previstos no Código Penal. O alvo é um médico que figura como responsável técnico em várias reclamações feitas por pacientes.
SBCP faz alerta sobre riscos
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) alertou que, apesar do apelo financeiro, os pacientes devem tomar cuidados rigorosos ao escolher um profissional. Entre as orientações estão: verificar se o cirurgião é membro da SBCP, confirmar o registro no Conselho Regional de Medicina e certificar-se de que o local da cirurgia possui estrutura hospitalar adequada.