Triângulo tem 2ª maior taxa de casos de estupro de vulnerável em MG
Uberaba e Uberlândia estão entre as quatro cidades mineiras com maior número de notificações no estado; levantamento do MPMG aponta que agressores são, em maioria, do círculo familiar
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O Triângulo Mineiro é a segunda região de Minas Gerais com maior incidência de violência sexual contra crianças e adolescentes, concentrando 13% de todos os casos de estupro de vulnerável no estado. Duas das cidades que mais notificaram casos no estado estão na região: Uberaba (135) e Uberlândia (105) ficaram atrás apenas de Belo Horizonte (379) e Contagem (160).
Os dados foram divulgados em levantamento realizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com base em boletins de ocorrência da Polícia Civil registrados entre 21 de fevereiro de 2025 e 21 de fevereiro de 2026. As ocorrências foram registradas em 611 municípios, representando 71,6% do território mineiro.

O perigo dentro de casa
No total, Minas Gerais contabilizou 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável contra vítimas menores de 14 anos no período. Desse total, 97,27% dos crimes foram consumados e, em 235 casos (5,7%), a violência resultou em gravidez precoce. Em outros 227 casos, há indicativo de “relacionamento” entre o agressor e a criança.
Um dos pontos que mais chamam atenção no relatório é sobre a origem dessa violência. Segundo os dados, em 2.169 casos, que representam 52,8% de todos os episódios registrados, o agressor pertence ao círculo familiar ou de confiança da criança.
Segundo dados da Sejusp, coletados pela equipe do Paranaíba Mais, também é possível verificar que somente em janero de 2026 Uberlândia e Uberaba somaram 11 casos de estupro de vulnerável. Em fevereiro, os números somados dos municípios também já apresentaram aumento e chegaram a 14 casos: Uberaba registrou 9 casos e Uberlândia, 5.
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Dentro desses números, a tabela da Sejusp indica que, nesses primeiros dois meses de 2026, Uberlândia teve 5 casos registrados em que o crime aconteceu dentro da casa da vítima. Em Uberaba, foram 15 casos de estupro de vulnerável na própria residência.
Estratégias
A promotora de Justiça Graciele de Rezende Almeida disse o levantamento foi compartilhado com as Coordenadorias Regionais de Defesa da Criança e do Adolescente (Credcas), que abrangem todo o estado, com o objetivo imediato de planejar ações estratégicas de prevenção e combate aos abusos junto às redes de proteção dos municípios.
As ocorrências que resultaram em gravidez estão sendo encaminhadas às Promotorias de Justiça para análise individual. A ideia é assegurar que todos os direitos da vítima tenham sido garantidos pela rede de proteção e, onde houver lacunas, implementar as medidas necessárias e qualificar o atendimento das equipes de apoio. “Além do trauma causado pelo abuso sexual, essas meninas vivenciam as graves consequências de uma gravidez precoce. É preciso olhar para essas vítimas, garantindo a elas direitos e acolhimento completo, imediato e humanizado”, disse.
Como denunciar casos de estupro de vulnerável em MG
Como a subnotificação ainda é alta devido ao medo e ao silêncio imposto pelos agressores, o MPMG reforçou que pais e responsáveis devem estar atentos a mudanças bruscas de comportamento:
- Emocional: Tristeza repentina, isolamento, medo exagerado ou pesadelos frequentes;
- Rotina: Queda no rendimento escolar e perda de interesse por brincadeiras;
- Físico: Dores, ferimentos inexplicáveis ou infecções recorrentes.
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Além disso, em qualquer situação de suspeita, é importante que a população se comprometa com as denúncias, que podem ser feitas diretamente aos seguintes órgãos:
- No Conselho Tutelar
- No Ministério Público
- Na Polícia Civil (181 ou 197)
- Na Polícia Militar (190)
- No disque 100