Tragédia na Zona da Mata: mortes sobem para 40 e 3,5 mil estão desabrigados
Juiz de Fora e Ubá decretam estado de calamidade após temporais devastadores; Defesa Civil alerta para risco de novos deslizamentos e golpes de doações
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O número de mortos após as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira subiu para 40 nesta quarta-feira (25), conforme boletim do Corpo de Bombeiros. As cidades de Juiz de Fora e Ubá decretaram estado de calamidade pública após registrarem enchentes e deslizamentos. Em Juiz de Fora, mais de 3.500 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas.
Segundo o levantamento atualizado às 13h, são 34 mortes em Juiz de Fora e seis em Ubá. Até a noite de terça-feira (24), o total era de 31 vítimas. Apenas na madrugada desta quarta, nove corpos foram resgatados em Juiz de Fora, três no bairro Esplanada, um no Vila Ideal e um no Paineiras; os demais locais não haviam sido informados.

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As equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de desaparecidos. Até o momento, 27 pessoas não foram localizadas, sendo 25 em Juiz de Fora e duas em Ubá. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, informou que a Polícia Civil montou uma força-tarefa para identificar todas as vítimas, mas os nomes ainda não foram divulgados.
Além das mortes, a tragédia provocou centenas de ocorrências. Somente em Juiz de Fora, a Defesa Civil registrou 772 chamados desde a última segunda-feira.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 208 pessoas foram resgatadas com vida em toda a região. Ao todo, 62 militares atuam em Juiz de Fora, 49 em Ubá e 14 em Matias Barbosa, município vizinho que não registrou mortos nem desaparecidos até o último balanço.
Os trabalhos de busca e salvamento seguiram durante toda a madrugada e continuam de forma ininterrupta. “Vamos manter esse trabalho, sempre priorizando a segurança e a efetividade no uso dos recursos”, afirmou o tenente Henrique Barcellos, porta-voz da corporação. A estratégia inclui o uso de cães farejadores para identificar possíveis vítimas sob escombros.
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Diante da gravidade da situação, as aulas nas redes municipal e estadual foram suspensas nas duas cidades. Em Juiz de Fora, 15 escolas foram abertas para receber famílias desabrigadas. O decreto de calamidade pública, também adotado por Matias Barbosa, tem validade de 180 dias e permite a liberação de recursos emergenciais dos governos estadual e federal.
As prefeituras de Juiz de Fora e Ubá decretaram luto oficial de três dias. Moradores que identificarem riscos estruturais em imóveis devem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.
O governo de Minas Gerais alertou ainda para tentativas de golpes envolvendo doações via Pix. Segundo a Defesa Civil estadual, não há campanhas oficiais de arrecadação em dinheiro para as vítimas.
Mais chuva à vista
Nesta quarta (24), o Paranaíba Mais publicou que a previsão do tempo indica que o cenário pode se agravar. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia apontam que o volume de chuva acumulado já chegou a 209,4 milímetros recentemente, totalizando 589,6 milímetros em fevereiro na região.

A partir desta quarta-feira, o avanço de uma nova frente fria deve provocar mais precipitações intensas, inicialmente na Zona da Mata, sul e sudoeste do estado.
Para quinta-feira (26), a previsão é de chuva entre 40 e 60 milímetros em diversas regiões mineiras, incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o norte e o noroeste do estado. Como o solo já está encharcado, há risco elevado de alagamentos, enxurradas e novos deslizamentos, principalmente em áreas de encosta e locais mais vulneráveis.
Em manifestação nas redes sociais, o governador Romeu Zema lamentou a tragédia. “Minas vive um dia triste. Minha solidariedade às famílias das vítimas e a todos os atingidos pelas chuvas na Zona da Mata”, escreveu.
O governo federal informou que está mobilizado para enviar ajuda humanitária e reforçar o atendimento às populações atingidas.