Priscila Lacerda: o que se sabe sobre a morte da empresária em Rifaina
Mineira de 24 anos foi baleada ao devolver caminhonete ao suspeito, que é procurado; amigo relata medo antes do crime, investigado como feminicídio
A empresária Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta a tiros em Rifaina (SP) na terça-feira (27), durante um encontro para devolver uma caminhonete ao pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos. Moradora de Perdizes, no Alto Paranaíba, ela viajou acompanhada do irmão e de uma amiga. A Polícia Civil (PC) investiga o caso como feminicídio e aponta Bolelli como autor do disparo.
Em entrevista ao Portal Paranaíba Mais, o empresário Cristiano Resende, amigo e cliente de Priscila, contou que, antes do crime, recebeu uma ligação na qual ela chorava e demonstrava medo. Ele afirmou, porém, que desconhecia o relacionamento da amiga com o investigado. “Ela estava sofrendo muito e estava com medo”, relatou.
Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, Priscila havia relatado agressões e ameaças nos dias anteriores à viagem. A Justiça de Pedregulho decretou a prisão preventiva de Bolelli na quarta-feira (28). Até a manhã desta quinta-feira (29), ele não havia sido localizado.

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Quem era Priscila Lacerda?
Priscila trabalhava com marketing digital e produção de vídeos em Perdizes. Ela conheceu Cristiano durante uma excursão organizada pela agência de viagens dele e apresentou os serviços que oferecia.
A parceria profissional se transformou em amizade. A empresária passou a acompanhar outras viagens para produzir conteúdos para a agência. “Foi criando esse carinho, essa amizade. Uma pessoa doce, humilde”, recordou Cristiano.
O empresário contou que acompanhava a rotina de trabalho da amiga e conversava com ela sobre dificuldades pessoais, mas não sabia do envolvimento com Bolelli.

Amigo relata ligação em que Priscila chorava e demonstrava medo
Cristiano afirmou que, após uma troca de mensagens sobre conteúdos para a agência, Priscila telefonou chorando. Segundo ele, a conversa durou entre três e quatro horas. A jovem dizia estar sobrecarregada e enfrentava dificuldades para concluir trabalhos e produzir conteúdos. Na ocasião, Cristiano não associou o sofrimento dela a uma possível situação de violência.
O empresário também contou que, em algumas oportunidades, percebeu manchas nos braços e nas pernas da amiga. Ao ser questionada, ela dizia que havia batido em algum lugar ou que não era nada. Segundo Cristiano, Priscila já havia mencionado episódios de abuso, mas ele entendia que os relatos se referiam ao passado. “Eu sabia de históricos dela de abuso. Ela tinha me falado, mas, para mim, era coisa do passado, de anos atrás”, afirmou.
O amigo não soube precisar quando os episódios ocorreram nem identificar os responsáveis. O relato dele também não permite estabelecer a origem das manchas ou associá-las ao investigado.
Viagem para devolver caminhonete terminou em morte
Conforme os depoimentos à polícia, Priscila e Bolelli mantinham um relacionamento havia cerca de quatro meses. Na terça-feira (27), ela saiu de Perdizes com o irmão na caminhonete que seria devolvida ao pecuarista. Uma amiga os acompanhou em outro carro. Durante o percurso, Priscila passou para o veículo da amiga para indicar o caminho. O irmão continuou dirigindo a caminhonete.
O encontro ocorreu às margens do km 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo à entrada de uma propriedade rural em Rifaina. Segundo as testemunhas, Bolelli chegou em um carro branco. O irmão de Priscila contou à polícia que ouviu a empresária dizer que queria ir embora e encerrar o relacionamento.
Durante o encontro, houve uma discussão sobre a devolução de um celular. Conforme os depoimentos, o pecuarista exigiu um aparelho que havia entregado à jovem. Ela respondeu que o devolveria depois de receber o próprio telefone de volta. A amiga também relatou que o suspeito questionou uma viagem de Priscila a Sacramento, no Alto Paranaíba, e a acusou de se encontrar com outro homem.
Segundo as testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou na empresária. Depois, teria apontado a arma para o irmão dela, que correu para se proteger. O irmão socorreu Priscila e a levou ao hospital de Rifaina, mas ela não resistiu aos ferimentos.
Suspeito tem prisão preventiva decretada

Segundo as informações da investigação, Bolelli fugiu na caminhonete que Priscila havia ido devolver. O veículo foi encontrado abandonado nas proximidades da propriedade rural dele. A PC ouviu testemunhas, e a perícia examinou o local do crime. O celular da empresária também foi apreendido para análise.
Com a prisão preventiva decretada, o investigado permanecia procurado até a manhã de quinta-feira (29). Bolelli tem uma condenação anterior por descumprimento de medidas protetivas concedidas a uma ex-companheira, em outro processo.
Família anunciou despedida em Perdizes
A família anunciou o velório e o sepultamento de Priscila para quarta-feira (28), em Perdizes. Segundo a nota de falecimento da Funerária São Lázaro, o velório estava marcado para as 14h, no Velório Municipal, e o sepultamento, para as 18h, no cemitério da cidade.
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