Primo indica rota e PRF amplia buscas por crianças desaparecidas em Bacabal

Após deixar hospital, menino de 8 anos ajuda polícia a refazer trajeto na mata onde dois irmãos se perderam, enquanto PRF reforça fiscalização em rodovias

, em Uberlândia

As buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal entraram em uma nova fase após Anderson Kauan, de 8 anos, receber alta hospitalar e auxiliar diretamente as equipes de segurança. O menino, primo de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mostrou aos policiais o caminho percorrido pelo trio até uma cabana abandonada próxima ao Rio Mearim, no interior do Maranhão.

 

crianças desaparecidas no Maranhão
As crianças desaparecidas, Ágatha Isabelly e Allan Michel, são irmãos – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Kauan havia passado 14 dias internado no Hospital Geral de Bacabal e participou da reconstituição acompanhado por uma equipe especializada, com apoio psicológico e autorização da Justiça. A indicação do trajeto ajudou a delimitar a área central das buscas, concentradas na região conhecida como casa caída, ponto onde cães farejadores sinalizaram vestígios da presença das crianças.

Buscas por crianças desaparecidas em Bacabal se concentram no Rio Mearim

As buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal mobilizam uma força-tarefa em uma área de aproximadamente 54 km², marcada por mata fechada, terreno irregular, açudes, lagos e pelo Rio Mearim. Com o avanço limitado das buscas terrestres, o trabalho passou a se concentrar também no meio fluvial.

Militares da Marinha utilizam equipamento de sonar para varredura de um trecho de cerca de três quilômetros do rio. A tecnologia permite mapear áreas submersas e gerar imagens do fundo, mesmo em locais com baixa visibilidade. Mergulhadores do Corpo de Bombeiros atuam de forma integrada, ampliando o alcance das operações.

Em manifestação pública, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, afirmou que os esforços seguem de forma contínua. Segundo ele, a prioridade é o leito do Rio Mearim, sem que as demais linhas de investigação sejam interrompidas, com o objetivo de dar uma resposta à família e à comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.

O desaparecimento ocorreu no dia 4 de janeiro, quando as três crianças saíram para brincar na região quilombola. Três dias depois, Kauan foi encontrado por carroceiros em uma estrada do povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros do local do sumiço. Ele relatou ter deixado os primos na “casa caída”, uma cabana abandonada que é o centro das busca.

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PRF reforça rodovias e investiga possível rota de fuga

Enquanto as equipes atuam na mata e no rio, as buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal também avançaram para as rodovias federais. A Polícia Rodoviária Federal intensificou as fiscalizações em trechos que cortam o Maranhão desde o início das operações, diante da possibilidade de rapto, hipótese que não foi descartada pela Polícia Civil.

De acordo com a PRF, caso o desaparecimento esteja ligado a um sequestro, as rodovias poderiam ter sido utilizadas como rota de fuga. Por isso, delegacias da corporação em Caxias e Santa Inês reforçaram as abordagens, com apoio de equipes de outros estados, após solicitação formal da Prefeitura de Bacabal.

A Polícia Civil do Maranhão mantém inquérito em andamento e segue ouvindo familiares e moradores da região. Nenhuma linha de investigação foi oficialmente descartada. A Secretaria de Segurança Pública do estado mobiliza todas as forças disponíveis, incluindo PRF, Polícia Militar, Polícia Civil, Marinha, Exército, Corpo de Bombeiros, ICMBio, Guarda Municipal, quilombolas e voluntários.

Uma denúncia registrada no Pará, que apontava a possível presença das crianças em um hotel no município de Água Azul do Norte, foi apurada e descartada após verificação no local.

Mesmo com o reforço das ações e a atuação de mais de 500 pessoas nas buscas, até o momento nenhuma nova pista foi encontrada. As buscas por crianças desaparecidas em Bacabal seguem de forma ininterrupta, com expectativa de que as informações fornecidas por Kauan ajudem a avançar nas investigações e esclarecer o paradeiro de Ágatha Isabelly e Allan Michael.