Polícia Civil amplia investigações sobre desaparecimento de Daiane Alves
Corretora uberlandense sumiu em Caldas Novas após sair do apartamento para religar a energia
O desaparecimento de Daiane Alves completa 34 dias cercado de conflitos envolvendo o condomínio onde a corretora de imóveis morava, em Caldas Novas (GO). Natural de Uberlândia (MG), Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez no fim de dezembro, quando deixou o apartamento para verificar a interrupção de energia elétrica e não retornou.
Desde então, familiares cobram respostas em torno das circunstâncias do caso.

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Segundo a família, Daiane morava há cerca de dois anos na cidade turística e era responsável pela administração de seis apartamentos da família, atuando como procuradora para locações. A mãe, Nilse Alves, relatou que havia desavenças frequentes com moradores e funcionários do prédio, além de processos judiciais em andamento contra o condomínio.
“Tivemos muitos problemas em 2025, inclusive com ações que tramitam na Justiça de Caldas Novas”, afirmou em entrevista à TV Paranaíba.
As investigações apontam que, após o desaparecimento, não houve qualquer movimentação bancária em nome da corretora. A Polícia Civil quebrou o sigilo da conta e constatou que os valores permanecem intactos. Além disso, varreduras foram realizadas no entorno do prédio e o celular de Daiane não apresentou novos sinais desde o dia em que ela sumiu.
Outro ponto que intriga a família é a situação da porta do apartamento. De acordo com Nilse Alves, imagens mostram que Daiane desceu deixando a porta aberta, mas, no dia seguinte, o imóvel foi encontrado trancado. “É a pergunta que não quer calar. Ela saiu com a porta aberta e depois estava trancada”, disse a mãe.
A Polícia Civil continua ouvindo moradores e funcionários do condomínio, além de analisar documentos internos, como registros sobre o corte de energia e o funcionamento do sistema de monitoramento. As investigações também incluem a quebra do sigilo bancário e a análise de outros materiais. Segundo os investigadores, nenhuma linha de apuração foi descartada.
Imagens de câmeras internas registraram Daiane passando pela portaria do prédio ao descer para verificar a energia. Conforme relato da família, o recepcionista não estava no local naquele momento, mas confirmou posteriormente que a corretora esteve ali questionando sobre a queda de energia.
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A família também aponta conflitos anteriores com o condomínio. Um documento indica que cerca de 52 moradores teriam votado pela saída de Daiane do prédio, em uma assembleia da qual ela não teria sido autorizada a participar, mesmo portando seis procurações referentes aos apartamentos da família.
Registros policiais ainda apontam episódios de agressões mútuas entre a corretora e funcionários do prédio.
Em depoimento à polícia, Daiane teria acusado o síndico de agressão física durante uma discussão sobre serviços básicos.
Protestos em Uberlândia
No último sábado (17), quando se completou um mês do desaparecimento de Daiane Alves, familiares e amigos se reuniram na praça Tubal Vilela, no Centro de Uberlândia, para cobrar esclarecimentos das autoridades.

A manifestação reuniu dezenas de pessoas, entre parentes, colegas da igreja e professoras que trabalharam com a mãe da corretora. Com faixas e cartazes, o grupo questionava: “Cadê Daiane Alves Souza?”.
O irmão da desaparecida, Arnaldo Souza, reforçou que os indícios apontam para algo fora da rotina da família.
“Ela tem filhos, sempre foi muito próxima de todos. Se estivesse bem, já teria entrado em contato. A conta bancária está intacta e isso reforça que algo aconteceu”, afirmou em entrevista à TV Paranaíba. Apesar da cobrança por respostas, ele destacou o trabalho das autoridades.
“Minha mãe está em Caldas Novas à disposição da polícia. Estão sendo feitas varreduras, coletas de DNA e outras diligências”, completou.
Em nota, a Polícia Civil de Goiás informou que foi formalizada uma força-tarefa para apurar o desaparecimento de Daiane Alves, sob coordenação da 19ª Delegacia Regional de Polícia de Caldas Novas. Segundo a corporação, equipes locais atuam de forma integrada, com diligências de campo, oitivas e análises técnicas.
A polícia ressaltou que novas informações serão divulgadas oportunamente, para não comprometer o sigilo das investigações, e reforçou que qualquer informação sobre o paradeiro de Daiane pode ser repassada, de forma anônima, pelo telefone 197 ou pelos canais oficiais da delegacia.