Pessoas desaparecidas: Uberlândia teve 100 casos no 1º trimestre
Município contabilizou mais de 2,5 mil ausências nos últimos seis anos e em meio aos números, famílias como a de Jhol Carlos convivem com anos de espera por respostas
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Segundo o Painel da Polícia Civil de Minas Gerais, entre janeiro e março de 2026, foram registradas 100 notificações de pessoas desaparecidas em Uberlândia. Os dados mostram que a grande maioria das vítimas é do sexo masculino, representando 72% dos casos, enquanto 28% são do sexo feminino.
O número representa uma queda de aproximadamente 15% em comparação ao mesmo período de 2025, quando a cidade contabilizou 118 registros. No acumulado do ano passado, a cidade registrou 499 registros de pessoas desaparecidas, o maior número nos últimos cinco anos.

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De 2020 a 2025, Uberlândia registrou um total de 2.519 pessoas desaparecidas. Confira a evolução anual:
- 2020: 410 registros
- 2021: 414 registros
- 2022: 415 registros
- 2023: 388 registros
- 2024: 393 registros
- 2025: 499 registros
O silêncio que machuca: o caso Jhol
Por trás dos números, existem pessoas que vivem entre a esperança e o medo de nunca encontrarem um familiar. É o caso da família de Jhol Carlos de Campos Alves, que desapareceu no dia 14 de julho de 2024, um domingo, logo após o jantar. Ele saiu de casa no bairro Tibery apenas com a roupa do corpo, deixando para trás o celular e documentos.
Nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, Jhol completa 39 anos. Para o pai, Carlos Alves, a data é um lembrete doloroso que já dura um ano e nove meses. “Para te falar a verdade, eu não me conformo não. Não temos notícia, não sei o que aconteceu com ele. É uma dor que eu sinto mesmo. A hora que acordo, perco o sono, às vezes vou em algum lugar e fico procurando por ele”, desabafa.

Jhol, descrito pelo pai como um homem alegre, parceiro e apaixonado por pagode, era casado há 18 anos e pai de duas meninas. Antes de desaparecer, ele teria demonstrado sinais de depressão.
Durante as buscas, a família ainda enfrenta a maldade de trotes e pedidos de resgate falsos. “As pessoas não respeitam o nosso momento. Ficam pedindo resgate, é muito dolorido”, relata Carlos.
Perfil das pessoas desaparecidas em Uberlândia em 2026
Em relação à faixa etária, o grupo com maior número de ocorrências é o de adultos entre 31 e 40 anos (21 casos), seguido por pessoas entre 41 e 50 anos (18 casos). Adolescentes (12 a 17 anos) e jovens adultos (18 a 24 anos) aparecem empatados com 17 registros cada. Já os idosos acima de 60 anos somam 11 notificações.
O painel também analisa o histórico e o comportamento dos desaparecidos. Para 61% dos registros, a pessoa desaparecida não tinha outro histórico de ausência registrada. E entre os fatores de vulnerabilidade identificados pela Polícia Civil, destacam-se:
- Uso de álcool: 54%
- Substâncias tóxicas: 42%
- Histórico de depressão: 41%
- Uso de medicamentos controlados: 35%
- Conflitos familiares: 23%
- Dívidas financeiras: 12%
Nesta estatística, pode ocorrer de a pessoa ter mais de um fator destacado.
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O que fazer em caso de desaparecimento?
Muitas famílias têm dúvidas sobre como proceder quando um parente não retorna para casa. Segundo a Polícia Civil, diferente do que se acredita popularmente, não é necessário esperar 24 horas para procurar ajuda.
1. Quando registrar?
O desaparecimento é caracterizado pela quebra da rotina da pessoa. O boletim de ocorrência deve ser feito o mais rápido possível em qualquer unidade da Polícia Civil ou Polícia Militar.
2. Como divulgar a foto?
No interior, a família deve procurar a delegacia mais próxima e assinar um documento de autorização para divulgação de imagem. A foto e os dados devem ser enviados para o e-mail oficial: [email protected].
3. O que fazer após a localização?
Tão importante quanto registrar o desaparecimento é informar a localização. O familiar ou a própria pessoa localizada deve comparecer a uma unidade policial para registrar o boletim de localização. Isso é fundamental para retirar o “alerta” dos sistemas de segurança e evitar transtornos em abordagens futuras.