Operação da polícia mineira mira mandados de prisão falsos contra Lula e Moraes

Esquema interestadual tentou usar credenciais de servidores para inserir mandados de prisão inexistentes em bases oficiais do Judiciário

, em Uberlandia

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Um esquema de mandados de prisão falsos entrou no radar das forças de segurança após atingir diretamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A Operação FireWall, da Polícia Civil de Minas Gerais com apoio da Inteligência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, resultou em mandados de busca e apreensão em Goiás e Distrito Federal.

A apuração identificou tentativas de fraudar sistemas do Judiciário para a emissão de ordens inexistentes, usando credenciais de servidores públicos e acesso indevido a bases oficiais.

 

Operação mira esquema de mandados de prisão falsos contra autoridades, incluindo Lula e Moraes
– Crédito: Reprodução/ Wikimedia Commons

A investigação aponta que as fraudes ocorreram em sistemas controlados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Poder Judiciário mineiro, com a inserção de dados falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisões e também em processos judiciais digitais.

Foi constatado que um alvo investigado em Minas Gerais tentou utilizar a credencial de uma servidora de Goiás para emitir mandados de prisão falsos, alcançando nomes de autoridades de projeção nacional, como Lula e Alexandre de Moraes.

A operação que mirou os mandados de prisão falsos foi iniciada pelo Gabinete de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em parceria com o Núcleo de Inteligência e Segurança dos Tribunais de Justiça de Goiás e de Santa Catarina. A ação ocorreu com apoio técnico do Conselho Nacional de Justiça.

Mandados de prisão falsos e atuação interestadual

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Goiás e no Distrito Federal. A execução contou com apoio operacional das polícias civis do Distrito Federal e de Goiás, além do Núcleo de Inteligência e Segurança do TJGO. As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz da 1ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da comarca de Peçanha, Otávio Scaloppe Nevony.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, os trabalhos investigativos tiveram início em janeiro, após a identificação de acessos indevidos às credenciais de servidores públicos. De acordo com o delegado Robert Salles, a principal linha de apuração indica o uso de engenharia social, por meio de phishing, para acessar e-mails institucionais, instalar vírus e capturar dados sensíveis que permitiam a entrada nos sistemas judiciais.

Como resultado das diligências, foram apreendidos celulares, notebook e mídias digitais, que agora passam por análises técnicas e periciais. O material deve ajudar a aprofundar a apuração e a identificar outros possíveis envolvidos no esquema de mandados de prisão falsos.

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Impacto dos mandados de prisão falsos no sistema judicial

O delegado Marceleandro Clementino da Silva destacou que, em Minas Gerais, alguns alvos chegaram a ter mandados de prisão cumpridos, mesmo sem que tais ordens fossem legítimas. A situação acendeu o alerta para o risco institucional provocado pela adulteração de informações judiciais e reforçou a necessidade de resposta rápida para preservar a confiabilidade do sistema.

A Operação Firewall tem como objetivo desarticular práticas criminosas que atentam contra a legalidade, impedir novas alterações indevidas de dados e garantir o funcionamento regular da Justiça. As autoridades reforçam que a responsabilização criminal dos envolvidos é fundamental para a proteção da ordem jurídica e para evitar que casos de mandados de prisão falsos voltem a comprometer a segurança institucional do país.

Suspeito preso, em outra ocasião, em janeiro

Em janeiro, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu no Rio de Janeiro o hacker Ricardo Lopes de Araújo, conhecido como “Dom”, suspeito de comendar um esquema de emissão de alvarás de soltura falsos, entre outros crimes cometidos na internet.

Segundo a polícia, o homem é apontado como o líder de uma organização criminosa especializada em invadir servidores do Poder Judiciário e aplicar golpes financeiros, além de ter escapado da prisão após fraudar o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Ele conseguiu sair da prisão usando um alvará falso com ajuda de um comparsa.

O Portal Paranaíba Mais entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais para saber se o ” alvo da investigação em Minas Gerais”, mensionado pelo TJMG no caso dos mandados de prisão falsos, se trata de Ricardo Araújo, mas as autoridades se negaram a responder.