Operação da polícia mineira mira mandados de prisão falsos contra Lula e Moraes
Esquema interestadual tentou usar credenciais de servidores para inserir mandados de prisão inexistentes em bases oficiais do Judiciário
Um esquema de mandados de prisão falsos entrou no radar das forças de segurança após atingir diretamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A Operação FireWall, da Polícia Civil de Minas Gerais com apoio da Inteligência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, resultou em mandados de busca e apreensão em Goiás e Distrito Federal.
A apuração identificou tentativas de fraudar sistemas do Judiciário para a emissão de ordens inexistentes, usando credenciais de servidores públicos e acesso indevido a bases oficiais.

A investigação aponta que as fraudes ocorreram em sistemas controlados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Poder Judiciário mineiro, com a inserção de dados falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisões e também em processos judiciais digitais.
Foi constatado que um alvo investigado em Minas Gerais tentou utilizar a credencial de uma servidora de Goiás para emitir mandados de prisão falsos, alcançando nomes de autoridades de projeção nacional, como Lula e Alexandre de Moraes.
A operação que mirou os mandados de prisão falsos foi iniciada pelo Gabinete de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em parceria com o Núcleo de Inteligência e Segurança dos Tribunais de Justiça de Goiás e de Santa Catarina. A ação ocorreu com apoio técnico do Conselho Nacional de Justiça.
Mandados de prisão falsos e atuação interestadual
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Goiás e no Distrito Federal. A execução contou com apoio operacional das polícias civis do Distrito Federal e de Goiás, além do Núcleo de Inteligência e Segurança do TJGO. As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz da 1ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da comarca de Peçanha, Otávio Scaloppe Nevony.
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, os trabalhos investigativos tiveram início em janeiro, após a identificação de acessos indevidos às credenciais de servidores públicos. De acordo com o delegado Robert Salles, a principal linha de apuração indica o uso de engenharia social, por meio de phishing, para acessar e-mails institucionais, instalar vírus e capturar dados sensíveis que permitiam a entrada nos sistemas judiciais.
Como resultado das diligências, foram apreendidos celulares, notebook e mídias digitais, que agora passam por análises técnicas e periciais. O material deve ajudar a aprofundar a apuração e a identificar outros possíveis envolvidos no esquema de mandados de prisão falsos.
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Impacto dos mandados de prisão falsos no sistema judicial
O delegado Marceleandro Clementino da Silva destacou que, em Minas Gerais, alguns alvos chegaram a ter mandados de prisão cumpridos, mesmo sem que tais ordens fossem legítimas. A situação acendeu o alerta para o risco institucional provocado pela adulteração de informações judiciais e reforçou a necessidade de resposta rápida para preservar a confiabilidade do sistema.
A Operação Firewall tem como objetivo desarticular práticas criminosas que atentam contra a legalidade, impedir novas alterações indevidas de dados e garantir o funcionamento regular da Justiça. As autoridades reforçam que a responsabilização criminal dos envolvidos é fundamental para a proteção da ordem jurídica e para evitar que casos de mandados de prisão falsos voltem a comprometer a segurança institucional do país.
Suspeito preso, em outra ocasião, em janeiro
Em janeiro, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu no Rio de Janeiro o hacker Ricardo Lopes de Araújo, conhecido como “Dom”, suspeito de comendar um esquema de emissão de alvarás de soltura falsos, entre outros crimes cometidos na internet.
Segundo a polícia, o homem é apontado como o líder de uma organização criminosa especializada em invadir servidores do Poder Judiciário e aplicar golpes financeiros, além de ter escapado da prisão após fraudar o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Ele conseguiu sair da prisão usando um alvará falso com ajuda de um comparsa.
O Portal Paranaíba Mais entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais para saber se o ” alvo da investigação em Minas Gerais”, mensionado pelo TJMG no caso dos mandados de prisão falsos, se trata de Ricardo Araújo, mas as autoridades se negaram a responder.