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O que são nêutrons? Entenda a fonte achada em laboratório da UFU

Material está isolado no campus Santa Mônica; avaliação inicial não usou detector de nêutrons, e CNEN prevê encaminhamento a centro especializado em BH

, em Uberlândia

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Uma fonte emissora de nêutrons localizada em um laboratório da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) deverá ser recolhida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O material, encontrado durante a renovação do licenciamento do laboratório no campus Santa Mônica, permanece isolado e blindado, segundo a universidade.

A descoberta despertou dúvidas sobre o que são nêutrons e os cuidados necessários com uma fonte que emite essas partículas. Presentes no núcleo da maioria dos átomos, os nêutrons exigem proteção e monitoramento específicos quando emitidos por uma fonte.  Segundo a UFU, a então Faculdade de Engenharia adquiriu o material na década de 1960. A instituição solicitou o recolhimento e informou que não identificou impactos à saúde pública ou ao meio ambiente.

As primeiras avaliações no laboratório da UFU não detectaram taxas de dose acima da radiação normalmente presente no ambiente. A CNEN ressalta, porém, que não havia equipamento específico para detectar nêutrons nessa avaliação.

O que são nêutrons? Entenda a fonte achada em laboratório da UFU
Nêutrons são parte do núcleo de um átomo e por ser instáveis podem causam radiações quando entram em choque – Crédito: Reprodução

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O que são nêutrons?

Nêutrons são partículas subatômicas que, ao lado dos prótons, compõem o núcleo da maioria dos átomos. Enquanto os prótons têm carga elétrica positiva, os nêutrons não têm carga elétrica.

A presença dessas partículas no núcleo não torna, por si só, um material radioativo. Elas também fazem parte dos átomos que constituem o corpo humano e outros materiais comuns.

No caso da UFU, o item encontrado é uma fonte capaz de emitir nêutrons. Sua composição e suas características ainda precisam de avaliação técnica detalhada.

Como a fonte foi encontrada na UFU?

A física médica Paula Duarte, professora da UFU e supervisora de proteção radiológica credenciada pela CNEN, explicou que a identificação ocorreu durante a regularização do laboratório. “Identificamos que essa fonte é uma fonte emissora de nêutrons, é uma fonte selada, blindada, que está armazenada num local seguro.”

Segundo a professora, o material está sem uso há décadas. A equipe ainda não conseguiu esclarecer sua finalidade original. Paula informou que a universidade comunicou a descoberta às autoridades e iniciou os procedimentos para a retirada. “Trata-se de um procedimento padrão, onde nós identificamos, comunicamos à autoridade e estamos dando as devidas tratativas.”

Para que serve uma fonte de nêutrons?

Os nêutrons têm aplicações científicas no estudo da estrutura e das propriedades dos materiais. A análise de sua interação com amostras ajuda pesquisadores a investigar a organização de átomos e moléculas. Essas técnicas contribuem para estudos em física, química, biologia e desenvolvimento de materiais, conforme a explicação do Departamento de Energia dos Estados Unidos sobre os usos científicos dos nêutrons.

Em entrevista anterior ao Paranaíba Mais, Walter Menezes Ferreira, chefe da Divisão de Emergências Radiológicas da CNEN, afirmou que a fonte da UFU seria de amerício-berílio. Segundo ele, a identificação preliminar foi feita a partir de fotografias enviadas pela universidade. Esse tipo de fonte produz nêutrons por uma reação nuclear e pode ser utilizado na calibração de detectores. A aplicação possível, entretanto, não esclarece a finalidade da aquisição feita pela antiga Faculdade de Engenharia.

Fonte selada e blindada: qual é a diferença?

A selagem mantém o material radioativo contido em uma cápsula ou estrutura resistente, reduzindo a possibilidade de dispersão e contaminação.

A blindagem reduz a radiação que alcança o ambiente ao redor. Portanto, uma fonte selada continua emitindo radiação: a segurança depende também da blindagem, das condições de armazenamento e do monitoramento.

Segundo Paula Duarte, a fonte da UFU possui invólucros de segurança e permanece blindada e isolada.

O que dizem a UFU e a CNEN?

UFU informa que o material está isolado

Em nota divulgada no domingo (11), a universidade afirmou que a fonte permanece em um laboratório especializado no campus Santa Mônica e que não identificou impactos à saúde pública ou ao meio ambiente. “A fonte está armazenada em local isolado e seguro.”

A UFU informou que solicitou o recolhimento à CNEN e à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). A previsão apresentada pela universidade é de retirada ainda em outubro, mediante agendamento.

CNEN ressalta limitação da avaliação inicial

Segundo a nota da CNEN sobre o material encontrado em Uberlândia, a avaliação com contador Geiger não detectou taxas de dose acima da radiação de fundo, normalmente presente no ambiente.

O órgão destacou, contudo, que a medição inicial tinha uma limitação: “Não havia disponível, no momento da avaliação, equipamento específico para detecção de nêutrons.”

Assim, essa primeira medição não substitui a avaliação específica da emissão de nêutrons. A CNEN informou que, até o momento, não há indícios de exposição da população ou de trabalhadores a situações de risco radiológico.

Como será a retirada da fonte?

Walter Menezes Ferreira explicou ao Paranaíba Mais que a CNEN utilizará viatura própria e um plano de transporte para recolher o material. A equipe também realizará o monitoramento do local. O chefe da divisão classificou a ação como um procedimento de recolhimento, sem caráter de emergência.

Após a verificação técnica, a fonte seguirá para o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte.

O que acontecerá com o material em Belo Horizonte?

Segundo a CNEN, o CDTN adotará medidas de controle, armazenamento e destinação adequadas às características da fonte. O centro mantém um serviço de recebimento, tratamento, acondicionamento e armazenamento de rejeitos radioativos. Esses materiais permanecem armazenados com segurança enquanto aguardam alternativas de deposição final.

Os órgãos responsáveis ainda não divulgaram os procedimentos específicos para a fonte da UFU, o período de permanência no centro ou sua destinação final.

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