O que levou ao ataque ao Irã e quais as consequências?
Ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos amplia tensão no Oriente Médio, provoca reação iraniana e gera condenação do Governo do Brasil
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Um ataque ao Irã marcou uma ação militar conjunta entre Israel e os Estados Unidos (EUA), na manhã deste sábado (28). A ofensiva foi confirmada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O ocorrido marca uma escalada no conflito no Oriente Médio, que têm se acentuado nos últimos meses. Em nota oficial, o Governo do Brasil condenou o movimento militar.

Segundo Donald Trump, as ações foram necessárias para “defender o povo americano”. Ele caracterizou o ataque ao Irã como parte de uma campanha para neutralizar capacidades estratégicas do Teerã, inclusive mísseis e infraestrutura militar, incluindo armas nucleares. “Estamos conduzindo uma grande operação de combate no Irã”, afirmou ao declarar que o objetivo é proteger forças, bases e nações aliadas.
O anúncio de Donald Trump foi feito pouco depois de surgirem informações sobre explosões na capital iraniana, Teerã, e de ações militares simultâneas atribuídas a forças de Israel e dos Estados Unidos contra alvos no Irã.
Autoridades em Tel Aviv já haviam comunicado o início de uma ofensiva de grande escala, com sucessivos ataques aéreos e navais em diferentes pontos do território iraniano.
De acordo com veículos da imprensa internacional, a operação conjunta de ataque ao Irã teria atingido ao menos 30 alvos considerados estratégicos, entre eles estruturas ligadas a mísseis e outras instalações classificadas como sensíveis.
Em resposta ao ataque, o Irã iniciou uma reação que já vinha sendo sinalizada há meses. Primeiro, lançou uma ofensiva com mísseis e drones contra Israel. Em seguida, passou a atingir, ao que tudo indica, instalações militares norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Catar, onde explosões foram ouvidas ao longo da manhã.
O que explica o ataque ao Irã?
Segundo o cientista político, doutor em ciências sociais e jornalista especializado em política internacional, André Barbieri, o ataque ao Irã ocorre depois de semanas de tentativas de negociação unilateral dos Estados Unidos, a base de uma mobilização militar que não se via desde 2003.
O objetivo das negociações era de que o Irã aceitasse reduzir seu plano de sustentação de um programa nuclear e bélico. Segundo o pesquisador, os EUA aumentaram suas imposições e por diversos momentos, nos últimos meses, mobilizaram tropas e poderio militar ao redor do Irã.
“As exigências dos Estados Unidos eram basicamente impossíveis de serem realizadas. Trump e Netanyahu exigem que os Estados Unidos possam pôr fim ao programa nuclear iraniano, eliminar a capacidade do Irã de disparar mísseis balísticos e promover o desmantelamento do regime. Foi isso que Trump anunciou. Agora, o objetivo seria desmantelar o governo e o regime iraniano”, afirmou o cientista político.
Segundo Barbieri, este é um fator importante de se levar em consideração, visto que existem muitas décadas de conflitos e pressões dos EUA desde a Revolução Iraniana, em 1979, para derrubar o regime que rivaliza com os interesses dos estadunidenses na Ásia. Ao falar do ataque ao Irã, Barbieri destaca as relações do país com Rússia e China.
“Então, esses ataques estão acontecendo agora e são muito difíceis de prever em toda a sua magnitude. Eles ocorreram neste momento e será necessário acompanhar os desdobramentos e os efeitos dessa situação. Trata-se, segundo a avaliação apresentada, de uma clara agressão que precisa ser repudiada”, afirmou.
O Governo do Brasil também segue uma linha parecida. Em nota oficial sobre o ataque ao Irã, condenou e expressou “ grave preocupação” com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.”
Ainda em nota, apelaram para que “ todas as partes respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”
Segundo Barbieri, o Irã fez retaliações contra as muitas instalações norte-americanas, em uma ameaça contra os interesses Norte-Americanos. “Aparentemente, neste momento, existe uma troca de tiros controlada, digamos, entre as partes em disputa. No entanto, a tendência é que a situação se estenda além do que foi a chamada Guerra dos Doze Dias no ano passado, quando os Estados Unidos bombardearam as três principais instalações nucleares do Irã”.
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O ataque ao Irã pode escalar para um conflito nuclear?
O especialista acredita que, na situação atual, o uso de armamentos nucleares não seja a prioridade, mas que é muito provável que a situação se incendeie ainda mais.
“O Irã, de fato, não é a Venezuela. Está em uma região muito mais explosiva do mundo, muito mais difícil de controlar, que é o Oriente Médio. É um governo que, como sabemos, é repressivo e autoritário, e que respondeu com extrema violência a protestos e manifestações. Ao mesmo tempo, o governo encara o momento atual como uma prova de resistência do Estado e, até agora, tem demonstrado que não pretende responder de forma passiva a essa nova agressão imperialista dos Estados Unidos.”
O especialista também destaca que o impacto no Oriente Médio é muito grande. “Ainda incertos em sua magnitude, esses desdobramentos vão depender da forma como muitos desses Estados, inclusive países árabes que não desejavam que os Estados Unidos bombardeassem o Irã, irão se posicionar”.
Segundo ele, a preocupação é que o ataque ao Irã gere uma guerra regional de difícil controle, trazendo instabilidade direta para esses países. Além disso, haveria impacto na continuidade dos negócios que essas nações mantêm tanto com os Estados Unidos quanto com o Estado de Israel.